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Policiais do Capitólio tentam bloquear fundo de indenizações para vítimas de instrumentalização política nos EUA

20 de Maio de 2026 às 15:28

Dois policiais que atuaram na defesa do Capitólio acionaram a Justiça Federal de Washington para bloquear o fundo de US$ 1,776 bilhão destinado a indenizar vítimas de instrumentalização política. A verba foi criada por acordo entre o Departamento de Justiça e a Receita Federal após ação movida por Donald Trump

Policiais do Capitólio tentam bloquear fundo de indenizações para vítimas de instrumentalização política nos EUA
Manuel Balce Ceneta/AP

Dois policiais que atuaram na defesa do Capitólio durante a invasão de 6 de janeiro de 2021 acionaram a Justiça Federal de Washington, nesta quarta-feira (20), para tentar bloquear a implementação de um fundo de US$ 1,776 bilhão destinado a compensar vítimas de suposta instrumentalização política. A medida atinge o "Anti-Weaponization Fund", criado pelo governo de Donald Trump com recursos de contribuintes para indenizar pessoas que alegam ter sido alvo de processos ou investigações por motivações políticas.

A criação do fundo foi estabelecida na segunda-feira (18), como parte de um acordo entre o Departamento de Justiça e a Receita Federal dos EUA (IRS). O ajuste encerrou uma ação de US$ 10 bilhões movida por Trump após o vazamento de suas declarações de imposto de renda no primeiro mandato. Além da instituição do fundo, o governo americano desistiu de auditorias e cobranças tributárias contra o presidente, seus familiares e empresas do grupo Trump, comprometendo-se ainda a apresentar um pedido formal de desculpas.

Na ação judicial, Harry Dunn e Daniel Hodges argumentam que a verba beneficia insurgentes e grupos paramilitares que agiram violentamente em nome do presidente. Dunn, policial negro com 15 anos de experiência na proteção do Congresso, relatou ter sofrido ataques racistas e agressões físicas durante a tentativa de apoiadores de Trump de impedir a certificação da vitória de Joe Biden nas eleições de 2020, quadro que resultou no desenvolvimento de transtorno de estresse pós-traumático. Já Hodges, que permanece na polícia de Washington, foi vítima de um episódio amplamente divulgado em redes sociais, no qual ficou preso em uma porta giratória enquanto era pressionado por um manifestante com um escudo policial.

Questionado pelo Congresso na terça-feira (19), o procurador-geral interino, Todd Blanche, defendeu a amplitude do fundo. Blanche afirmou que os pagamentos não se restringem aos acusados pela invasão ao Capitólio, podendo contemplar integrantes de qualquer partido político que comprovem ter sofrido instrumentalização. Até o momento, a administração não detalhou os critérios de seleção nem a lista de possíveis beneficiários.

Com informações de G1

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