Políticas migratórias dos Estados Unidos impactam delegações e dificultam a entrada de profissionais da Copa 2026
A política migratória dos Estados Unidos resultou em revistas rigorosas nas seleções do Senegal, Bélgica e Uzbequistão, além da negação de visto ao árbitro da Somália. O governo expandiu as restrições de viagem para 39 países e implementou depósitos caucionais para cidadãos de 50 nações consideradas de risco
A rigorosa política migratória do governo de Donald Trump começou a impactar as delegações da Copa do Mundo de 2026, com a implementação de revistas intensas e a negação de vistos a profissionais do esporte. Na segunda-feira (8), a seleção do Senegal passou por uma triagem rigorosa com detectores de metais e inspeção de bagagens ainda na pista de pouso do aeroporto internacional de Houston, no Texas, antes mesmo de acessar a imigração. Em comunicado emitido nesta terça-feira (9), a equipe senegalesa afirmou que o procedimento ocorreu durante o embarque e seguiu os padrões normais de segurança.
Outras delegações enfrentaram situações semelhantes. A seleção da Bélgica foi submetida a revistas com detectores de metal, incluindo a sola dos sapatos, ao chegar a Chicago nesta terça-feira (9). No mesmo dia, a seleção do Uzbequistão foi recebida em Chicago com cães farejadores para um amistoso contra a Holanda. O técnico Fabio Cannavaro criticou a ação, relatando que a delegação teve todas as bagagens revistadas e aguardou a liberação por horas sob sol forte.
A ofensiva migratória também atingiu a arbitragem. Omar Artan, árbitro da Somália escalado para o torneio, teve sua entrada nos Estados Unidos negada após horas de interrogatório na segunda-feira (8). A Federação da Somália informou que o profissional possuía visto válido e seria o primeiro somaliano a apitar em uma Copa do Mundo.
Essas ações fazem parte de um endurecimento nas normas de viagem adotadas por Washington desde o início do ano passado, com foco especial na Copa de 2026. O governo expandiu de 19 para 39 o número de países com restrições de vistos e viagens, afetando nações como Mali, Sudão, Irã, Haiti e Somália, que enfrentam suspensões parciais ou totais na emissão de vistos de curta permanência.
Para evitar que torcedores e membros de delegações permaneçam ilegalmente no país após o evento, os Estados Unidos ampliaram a exigência de depósitos caucionais reembolsáveis. Cidadãos de aproximadamente 50 países classificados como "de risco" devem depositar valores entre US$ 5.000 e US$ 15.000 para obterem o visto de entrada.
O cenário contrasta com a recepção no México, onde a seleção da Espanha foi acolhida com bandas, danças e bandeiras na cidade de Puebla na segunda-feira (8), antes de um amistoso contra o Peru. A delegação espanhola utilizou as redes sociais para agradecer as celebrações.