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Porta-aviões USS Gerald R. Ford bate recorde de permanência no mar desde 1991

19 de Maio de 2026 às 12:48

O porta-aviões USS Gerald R. Ford retornou ao porto de Norfolk em 16 de maio de 2026, após 326 dias de operação. O período é o recorde de maior duração contínua de um grupo de ataque da Marinha dos EUA desde 1991. A missão incluiu combate ao narcotráfico no Caribe e neutralização de ataques houthis no Mar Vermelho

Porta-aviões USS Gerald R. Ford bate recorde de permanência no mar desde 1991
O USS Gerald R. Ford fez história com uma missão de 316 dias. Confira os detalhes da volta do porta-aviões mais moderno da Marinha e seus marcos operacionais. (Imagem meramente ilustrativa)

O porta-aviões nuclear USS Gerald R. Ford retornou ao porto de Norfolk, nos Estados Unidos, em 16 de maio de 2026, após completar 326 dias consecutivos de operação no mar. O período, iniciado em junho de 2025, estabelece o recorde de maior duração contínua de um grupo de ataque da Marinha dos EUA desde a Operação Desert Storm, em 1991, superando em 80 dias a marca anterior do USS Theodore Roosevelt, registrada em 2020.

Sob o comando do Contra-Almirante Gavin Duff e a gestão operacional do Capitão Steve McManus, a Carrier Strike Group 12 foi composta por sete navios, incluindo dois cruzadores classe Ticonderoga e quatro destróieres classe Arleigh Burke, totalizando cerca de 7.500 marinheiros e fuzileiros. A missão teve início no Caribe com a Operation Absolute Resolve, focada no combate ao narcotráfico entre Estados Unidos, Colômbia e Venezuela, resultando na interceptação de 14 toneladas de cocaína em três meses.

Em setembro de 2025, o grupo foi redirecionado ao Mediterrâneo e, em outubro, chegou ao Mar Vermelho para integrar a Operation Epic Fury. O objetivo era neutralizar ataques de houthis contra embarcações comerciais no estreito de Bab el-Mandeb. Durante sete meses de atuação no Iêmen, as aeronaves do Ford realizaram 1.700 sortidas, derrubando 31 drones suicidas Shahed-136 e interceptando 12 mísseis balísticos. Como resultado dessas ações, a Autoridade do Canal de Suez registrou um crescimento de 18% no tráfego comercial entre março e maio de 2026, revertendo um cenário onde 67 navios haviam sido atingidos por mísseis desde 2023, com dois naufrágios e quatro mortes.

Com 333 metros de comprimento e 100.000 toneladas de deslocamento, o USS Gerald R. Ford é atualmente o maior porta-aviões em operação no mundo, superando a classe Nimitz, o HMS Queen Elizabeth britânico e o Admiral Kuznetsov russo. A embarcação comporta 4.660 tripulantes e até 90 aeronaves, como os caças F/A-18 Super Hornet, os E-2D Hawkeye e helicópteros MH-60.

Construído pela Huntington Ingalls Industries, o navio custou US$ 13,3 bilhões ao Pentágono — valor 2,5 vezes superior ao do último navio da classe Nimitz — e levou 12 anos entre o contrato e a comissão. O custo elevado e os atrasos no programa, que levaram a primeira missão de combate apenas para 2022, justificam-se pela implementação de 23 novas tecnologias. A principal delas é o Electromagnetic Aircraft Launch System (EMALS), que substituiu as catapultas a vapor, permitindo acelerar aeronaves de 0 a 240 km/h em dois segundos, reduzindo o desgaste mecânico em 30% e viabilizando o lançamento de drones leves. O navio também integra o Advanced Arresting Gear (AAG) para pousos e o radar Dual Band AN/SPY-3, capaz de detectar 800 alvos simultaneamente.

Os Estados Unidos operam hoje 11 porta-aviões nucleares, superando a soma de todas as outras marinhas do mundo. O cronograma naval prevê a expansão da classe Ford até 2050, com a entrada em serviço do USS John F. Kennedy (CVN-79) entre 2026 e 2027, do USS Enterprise (CVN-80) em 2029 e do USS Doris Miller (CVN-81) em 2032, este último sendo o primeiro batizado em homenagem a um marinheiro afro-americano.

O USS Gerald R. Ford passará agora por uma manutenção programada de 60 dias. A Marinha dos EUA ainda avalia se o próximo desdobramento ocorrerá no Mediterrâneo ou no Pacífico. Esse planejamento ocorre em um contexto de maior pressão operacional, com o intervalo entre missões caindo de 18 para 12 meses entre 2022 e 2026, como resposta ao crescimento da frota chinesa, que já conta com três porta-aviões em operação.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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