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Porto de La Guaira torna-se necrotério improvisado após terremotos atingirem a Venezuela

30 de Junho de 2026 às 09:10

O porto de La Guaira tornou-se um necrotério improvisado após terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 na Venezuela. O balanço oficial registra 1.719 mortos, enquanto a ONU estima 50 mil desaparecidos. A medida ocorreu devido ao colapso das unidades hospitalares da região

Porto de La Guaira torna-se necrotério improvisado após terremotos atingirem a Venezuela
Federico Parra/AFP

O porto de La Guaira, ponto estratégico próximo a Caracas, foi transformado em um necrotério improvisado para concentrar os corpos retirados dos escombros após os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela na última quarta-feira. A medida foi adotada após o colapso dos necrotérios nos hospitais da região, que não suportaram o volume de óbitos. Até o momento, o balanço oficial registra 1.719 mortos, embora a cifra continue a subir.

A operação forense ocorre ao ar livre, sob lonas, onde médicos legistas processam os cadáveres, emitem certidões de óbito e autorizações para cremação. No local, amostras para autópsias são recolhidas por unidades de resíduos hospitalares. Parte dos corpos é coberta com cal, prática questionada por profissionais da área. Enquanto isso, funerárias privadas estacionam veículos do lado de fora do porto para oferecer traslado e cremação gratuitos.

A crise humanitária se reflete nas filas de familiares que aguardam a identificação de parentes. Casos como o de Wilker Molalla, de 25 anos, ilustram a tragédia: de sua família de 11 pessoas, apenas ele e o irmão sobreviveram por estarem trabalhando no momento dos tremores. Outros, como o cozinheiro Antony Marcano, de 41 anos, conseguiram identificar filhos por meio de objetos pessoais, como anéis.

Há críticas severas à gestão da emergência, especialmente quanto à escassez de pessoal especializado, o que obriga a população a realizar a busca por sobreviventes nos escombros sem auxílio governamental. Um exemplo é o de Darwin Silva, de 37 anos, que transportou por conta própria o corpo da mãe, encontrada sob uma viga com a ajuda de geradores de luz fornecidos por moradores.

A devastação é severa em conjuntos habitacionais, como o Hugo Chávez I, em Catia La Mar. Os edifícios, que integravam um programa de modernização do governo, apresentam rachaduras profundas e desabamentos totais. Cerca de 3.400 apartamentos foram evacuados, deixando famílias, como a de Jenny Contreras, de 28 anos, dormindo em colchões nas ruas sem acesso aos seus pertences.

Enquanto o governo venezuelano evita divulgar números de desaparecidos, a ONU estima que existam 50 mil pessoas nessa condição. Para mitigar a situação, a Organização das Nações Unidas anunciou o envio de 10 mil bolsas mortuárias ao país. Paralelamente, a Organização Mundial da Saúde aponta que a pressão sobre o sistema de saúde local resultou em caos e superlotação.

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