Presidente da Autoridade Palestina convoca eleições legislativas para o dia 28 de novembro
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, convocou eleições legislativas para 28 de novembro. A medida ocorre após o Hamas dissolver o órgão administrativo da Faixa de Gaza e a renúncia de Mohammed al-Farra
Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, assinou nesta quinta-feira (9) um decreto que convoca eleições legislativas para o dia 28 de novembro. O pleito representa a primeira votação desse tipo em quase vinte anos e ocorre três dias após o grupo Hamas anunciar a dissolução do órgão que administrava a Faixa de Gaza.
A saída do Hamas do governo local, formalizada em coletiva de imprensa na segunda-feira (6), incluiu a renúncia de Mohammed al-Farra, chefe do governo ligado ao grupo. A movimentação abre espaço para que um comitê tecnocrático implemente a governança civil no território, que era controlado pelo Hamas desde 2007, após conflitos com o partido Fatah, de Abbas.
Representantes do Hamas, como o diretor-geral do escritório de mídia Ismail Thawabta e o porta-voz Hazem Qassem, justificaram a medida como uma tentativa de mitigar o sofrimento causado pela guerra, pelo cerco e pela demora na reconstrução, além de eliminar argumentos que justifiquem a interferência de Israel. O grupo reiterou a intenção de transferir todas as responsabilidades administrativas de Gaza.
O cenário político ocorre sob a vigência de um cessar-fogo estabelecido em 10 de outubro de 2025, embora ambas as partes troquem acusações de violações da trégua. Desde a implementação desse acordo, autoridades de saúde em Gaza registraram 1.072 mortos e 3.463 feridos. No total, desde o início do conflito em outubro de 2023, as vítimas fatais somam 73.098, com outros 173.571 feridos.
A transição para a segunda fase do acordo de cessar-fogo, que prevê a retirada progressiva de Israel e o desarmamento do Hamas, permanece estagnada, resultando no reforço da presença militar israelense. Israel rejeita a volta do Hamas ao poder e, no momento, também se opõe ao controle da Autoridade Palestina sobre a região.
Paralelamente, o "Conselho de Paz", instituído pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou um roteiro que inclui a implantação de uma força internacional de paz e a reconstrução de Gaza. O plano prevê que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), atualmente sediado no Cairo, assuma o controle de todas as armas em circulação no território para garantir a aplicação de uma lei e autoridade únicas.
A primeira etapa do cessar-fogo já havia viabilizado a troca de reféns israelenses por palestinos presos. Para o cientista político Mkhaimar Abusada, a decisão do Hamas de deixar o governo possui, primordialmente, um caráter simbólico.