Produção global de cocaína quadruplica em dez anos, aponta relatório da ONU
A produção global de cocaína chegou a 4,1 mil toneladas, volume quatro vezes maior que há dez anos, segundo a ONU. A metanfetamina cresce 13% ao ano, enquanto a proibição do ópio no Afeganistão impulsionou opioides sintéticos. Novas substâncias psicoativas subiram 150% na Oceania, 80% na Europa e 10% na América do Norte
A produção global de cocaína atingiu a marca de 4,1 mil toneladas, volume quatro vezes superior ao registrado há dez anos, impulsionando a expansão do mercado de drogas ilícitas. O cenário, detalhado no Relatório Mundial sobre Drogas da ONU divulgado nesta sexta-feira (26), revela que a substância tornou-se mais barata e pura, alterando seu perfil de consumo ao migrar da vida noturna para a rotina diária de usuários em diversos ambientes sociais.
Paralelamente, a metanfetamina apresenta um crescimento anual estimado em 13%, dado baseado no volume de apreensões realizadas por forças de segurança.
O mercado internacional de opioides passou por uma reestruturação a partir de 2023, após a proibição do cultivo de ópio no Afeganistão pelo Talibã. A queda na oferta de heroína, decorrente do colapso da lavoura afegã, abriu espaço para a proliferação de opioides sintéticos, como o fentanil e os nitazenos.
Essa transição resultou em aumentos expressivos na identificação de Novas Substâncias Psicoativas (NSP) em diferentes regiões: a Oceania registrou alta de 150%, a Europa superou os 80% e a América do Norte, onde o fentanil já era predominante sobre a heroína, teve um acréscimo de 10% em novas variantes sintéticas.
O aumento da oferta de cocaína também provocou um surto no consumo de crack entre populações socioeconomicamente vulneráveis. Centros de reabilitação da Europa Central e Ocidental confirmam que, desde 2015, há um movimento contínuo de dependentes que migram do uso de heroína para o derivado da cocaína.