Rede de recrutamento ilegal atrai cidadãos de diversos países para combates na Rússia sob falsas promessas
Rede de recrutamento ilegal na Colômbia atrai cidadãos de diversos países para a Rússia com falsas promessas de emprego e os envia para a guerra na Ucrânia. No Peru, o esquema resultou em quinze mortes e oito feridos, com cerca de 600 homens ainda aguardando solução no exterior. Casos semelhantes foram registrados em nações da América Latina, Ásia e África
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Uma rede de recrutamento ilegal, operando a partir da Colômbia e utilizando redes sociais, tem atraído cidadãos de diversos países para a Rússia sob falsas promessas de emprego, resultando no envio forçado desses indivíduos para o front de batalha na guerra contra a Ucrânia. No Peru, a situação já soma quinze mortes e oito feridos, conforme denúncias apresentadas pelo advogado Percy Salinas e outros dois profissionais que representam dezenas de famílias afetadas.
O esquema de engodo não se limita ao território peruano. Casos semelhantes foram registrados em nações latino-americanas como Brasil, Colômbia, Cuba, Bolívia e Equador. A lista de Estados que denunciaram o recrutamento fraudulento estende-se a países como Índia, Bangladesh, Iraque, África do Sul e Nepal, sendo que este último chegou a proibir viagens de trabalho para a Rússia. A preocupação com a mobilização ilegal de jovens também foi manifestada pelo presidente do Quênia, William Ruto, e pelo primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que, em julho de 2024, solicitou formalmente a Moscou a dispensa dos indianos enganados.
A atratividade desses recrutas, especialmente os latino-americanos, reside na busca por mobilidade social e no desejo de sustentar a família por meio de ganhos rápidos no exterior. Elizabeth Dickinson, vice-diretora para a América Latina do International Crisis Group, aponta que a contratação de cidadãos da região é financeiramente mais vantajosa para os recrutadores do que a de europeus ou norte-americanos. No caso específico de colombianos, a experiência prolongada de guerra civil no país é vista como um fator adicional de interesse.
Apesar da gravidade, a resposta do governo peruano é alvo de críticas severas. Embora o Ministério das Relações Exteriores tenha repatriado 18 pessoas que buscaram refúgio na embaixada em Moscou, estima-se que ao menos 600 homens ainda aguardem soluções no exterior. Valeria del Pilar Concha, comissária da Diálogos Humanos, afirma que a atuação estatal foi tardia e ocorreu apenas após a pressão de familiares e a repercussão na mídia, ignorando a obrigação constitucional de salvaguardar cidadãos em risco.
As famílias das vítimas enfrentam ainda ameaças de morte. Paralelamente, a tática dos recrutadores evoluiu para evitar a detecção: após as denúncias públicas, as ofertas de emprego foram substituídas por falsas oportunidades educacionais ou convites para torneios esportivos. No entanto, o desfecho permanece o mesmo, com as vítimas sendo encaminhadas diretamente para as zonas de combate assim que chegam ao destino.