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Redes sociais propagam informação falsa sobre a origem da crise orçamentária de Nova York

11 de Maio de 2026 às 18:16

Publicações em redes sociais propagam falsamente que a gestão de Zohran Mamdani causou a crise orçamentária de Nova York. O déficit é anterior ao mandato atual, com projeções de rombos bilionários entre 2026 e 2029. Para mitigar a situação, a prefeitura implementou revisão de gastos, imposto sobre imóveis de luxo e recebeu auxílio estadual de US$ 1,5 bilhão

Redes sociais propagam informação falsa sobre a origem da crise orçamentária de Nova York
g1

Publicações em redes sociais como X, Threads e Instagram têm propagado a informação falsa de que a crise orçamentária de Nova York teria sido desencadeada pela gestão de Zohran Mamdani, que assumiu a prefeitura em 1º de janeiro. Os posts, que circularam a partir de 28 de abril, utilizam trechos de discursos do prefeito para alegar que a cidade estaria falida após poucos meses de mandato.

Na realidade, o déficit financeiro enfrentado pela maior cidade dos Estados Unidos é anterior à atual administração. Em 15 de dezembro de 2025, antes da posse de Mamdani, o então controlador-geral Brad Lander publicou um relatório alertando para rombos orçamentários significativos. As projeções indicavam um déficit de US$ 2,18 bilhões para o ano fiscal de 2026, podendo saltar para US$ 10,41 bilhões em 2027, US$ 13,24 bilhões em 2028 e US$ 12,36 bilhões em 2029.

A análise técnica aponta que a crise é fruto de anos de má gestão, falta de investimentos e a prática recorrente de subestimar despesas nos planos orçamentários para mascarar os gastos reais — método adotado por diversas gestões anteriores. Além disso, cortes em políticas federais do governo Trump, como reduções no Medicaid e no financiamento de serviços sociais, somados a políticas migratórias rígidas, tendem a elevar os custos municipais. Essas estimativas foram posteriormente confirmadas por Mark Levine, atual controlador de Nova York.

O prefeito, que é socialista e muçulmano, admitiu que a cidade herdou um déficit de magnitude histórica, superior a qualquer outro desde a Grande Recessão. Para enfrentar o cenário, Mamdani implementou medidas como a criação de um cargo de oficial responsável para revisar gastos e identificar desperdícios em agências municipais em janeiro. Em fevereiro, foi anunciado um auxílio de US$ 1,5 bilhão proveniente do governo do estado de Nova York, distribuído entre 2026 e 2027. Já em abril, foi instituído um imposto sobre imóveis de luxo acima de US$ 5 milhões pertencentes a pessoas que não residem permanentemente na cidade.

Durante a campanha, Mamdani propôs a arrecadação de US$ 9 bilhões em novas receitas via impostos sobre renda e propriedades para financiar promessas como creche universal gratuita, transporte por ônibus gratuito, mercados municipais e congelamento de aluguéis — medidas que, juntas, custariam US$ 7 bilhões anuais. O plano inclui ainda a contratação de auditores e a simplificação de contratos para gerar US$ 1 bilhão extra por ano.

Contudo, a viabilidade dessas projeções é questionada pela Comissão Cidadã para o Orçamento de Nova York (CBC). A entidade independente aponta um otimismo excessivo nos cálculos do governo, citando a dificuldade de aprovação de novos tributos na Câmara Municipal e a limitação financeira do estado em prestar auxílio. Para 2026, a Câmara aprovou um orçamento de US$ 116 bilhões, o montante mais elevado entre as cidades americanas.

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