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Reino Unido alerta para caso suspeito de hantavírus em Tristão da Cunha após surto em navio

10 de Maio de 2026 às 15:16

Autoridades do Reino Unido alertam sobre um caso suspeito de hantavírus em Tristão da Cunha, relacionado a um surto no navio MV Hondius. Seis de oito casos a bordo da embarcação foram confirmados, motivando o rastreamento de passageiros e contatos

Reino Unido alerta para caso suspeito de hantavírus em Tristão da Cunha após surto em navio
Imagem: Divulgação

As autoridades sanitárias do Reino Unido emitiram um alerta após a detecção de um caso suspeito de hantavírus em Tristão da Cunha, território britânico ultramarino localizado no Atlântico Sul. A suspeita envolve um cidadão britânico e está relacionada a um surto ocorrido no navio MV Hondius, que visitou a região em 15 de abril. Até o momento, seis dos oito casos suspeitos identificados a bordo da embarcação foram confirmados. O governo britânico realiza agora o rastreamento de passageiros do cruzeiro e de pessoas que tiveram contato com eles.

A situação gera preocupação devido ao extremo isolamento de Tristão da Cunha, considerada a região habitada mais remota do mundo. Com apenas 98 km², a ilha é cerca de 220 vezes menor que o estado de Sergipe. O arquipélago não possui aeroporto, sendo acessível apenas por via marítima em viagens que partem da Cidade do Cabo, na África do Sul — situada a aproximadamente 2.800 quilômetros a leste —, cerca de dez vezes por ano. A travessia dura quase uma semana e a terra habitada mais próxima, Santa Helena, encontra-se a 2.400 quilômetros de distância.

A população da ilha, composta por 216 moradores, reside integralmente na localidade de Edinburgh of the Seven Seas. A comunidade, descendente de colonos do século XIX, opera sob um sistema de propriedade coletiva de terras e normas rígidas para evitar desigualdades econômicas e a concentração de riqueza, controlando inclusive a criação de animais. Estrangeiros são proibidos de adquirir terras ou residir permanentemente no local. A economia local sustenta-se na pesca, agricultura de subsistência e na comercialização de moedas e selos comemorativos. O turismo é limitado e focado na natureza, tendo como destaque o vulcão Queen Mary’s Peak, cuja erupção em 1961 provocou a evacuação temporária dos habitantes para o Reino Unido.

O hantavírus, agente causador da hantavirose, é transmitido a humanos principalmente pela inalação de aerossóis provenientes de urina, fezes e saliva de roedores silvestres, que carregam o patógeno sem adoecer. A infecção também pode ocorrer por meio de cortes causados por roedores, contato de mãos contaminadas com mucosas ou, como registrado nos casos do hantavírus Andes no Chile e na Argentina, por transmissão interpessoal.

No organismo humano, a doença pode evoluir para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), manifestando-se inicialmente com febre, fadiga, dores de cabeça, tonturas, calafrios, dores musculares e problemas abdominais. Em estágios graves, a patologia compromete as funções cardíacas e pulmonares, podendo resultar na síndrome da angústia respiratória (SARA).

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