Reino Unido alerta para caso suspeito de hantavírus em Tristão da Cunha após surto em navio
Autoridades do Reino Unido alertam sobre um caso suspeito de hantavírus em Tristão da Cunha, relacionado a um surto no navio MV Hondius. Seis de oito casos a bordo da embarcação foram confirmados, motivando o rastreamento de passageiros e contatos

As autoridades sanitárias do Reino Unido emitiram um alerta após a detecção de um caso suspeito de hantavírus em Tristão da Cunha, território britânico ultramarino localizado no Atlântico Sul. A suspeita envolve um cidadão britânico e está relacionada a um surto ocorrido no navio MV Hondius, que visitou a região em 15 de abril. Até o momento, seis dos oito casos suspeitos identificados a bordo da embarcação foram confirmados. O governo britânico realiza agora o rastreamento de passageiros do cruzeiro e de pessoas que tiveram contato com eles.
A situação gera preocupação devido ao extremo isolamento de Tristão da Cunha, considerada a região habitada mais remota do mundo. Com apenas 98 km², a ilha é cerca de 220 vezes menor que o estado de Sergipe. O arquipélago não possui aeroporto, sendo acessível apenas por via marítima em viagens que partem da Cidade do Cabo, na África do Sul — situada a aproximadamente 2.800 quilômetros a leste —, cerca de dez vezes por ano. A travessia dura quase uma semana e a terra habitada mais próxima, Santa Helena, encontra-se a 2.400 quilômetros de distância.
A população da ilha, composta por 216 moradores, reside integralmente na localidade de Edinburgh of the Seven Seas. A comunidade, descendente de colonos do século XIX, opera sob um sistema de propriedade coletiva de terras e normas rígidas para evitar desigualdades econômicas e a concentração de riqueza, controlando inclusive a criação de animais. Estrangeiros são proibidos de adquirir terras ou residir permanentemente no local. A economia local sustenta-se na pesca, agricultura de subsistência e na comercialização de moedas e selos comemorativos. O turismo é limitado e focado na natureza, tendo como destaque o vulcão Queen Mary’s Peak, cuja erupção em 1961 provocou a evacuação temporária dos habitantes para o Reino Unido.
O hantavírus, agente causador da hantavirose, é transmitido a humanos principalmente pela inalação de aerossóis provenientes de urina, fezes e saliva de roedores silvestres, que carregam o patógeno sem adoecer. A infecção também pode ocorrer por meio de cortes causados por roedores, contato de mãos contaminadas com mucosas ou, como registrado nos casos do hantavírus Andes no Chile e na Argentina, por transmissão interpessoal.
No organismo humano, a doença pode evoluir para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), manifestando-se inicialmente com febre, fadiga, dores de cabeça, tonturas, calafrios, dores musculares e problemas abdominais. Em estágios graves, a patologia compromete as funções cardíacas e pulmonares, podendo resultar na síndrome da angústia respiratória (SARA).