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Reino Unido mobiliza Força Aérea para levar suprimentos médicos a Tristão da Cunha após suspeita de hantavírus

10 de Maio de 2026 às 15:10

A Força Aérea do Reino Unido enviou dois médicos, seis paraquedistas, cilindros de oxigênio e suprimentos hospitalares para Tristão da Cunha. A operação ocorreu após a suspeita de hantavírus em um cidadão britânico que visitou a ilha. O surto começou no navio MV Hondius, com seis casos confirmados e três mortes

O Reino Unido mobilizou a Força Aérea para realizar uma operação humanitária inédita em Tristão da Cunha, a ilha habitada mais isolada do mundo, localizada no Atlântico Sul entre a América do Sul e a África do Sul. A missão, que envolveu o salto de seis paraquedistas e dois médicos militares, teve como objetivo levar suprimentos hospitalares e cilindros de oxigênio para a localidade, cujo estoque estava quase esgotado. Devido à ausência de aeroporto na ilha, que normalmente só é acessível por via marítima, o envio aéreo foi a única alternativa para garantir a rapidez do socorro.

A intervenção foi motivada pela suspeita de um caso de hantavírus em um cidadão britânico que esteve na ilha em abril, após ter sido passageiro de um navio de cruzeiro afetado pelo vírus. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o homem manifestou sintomas da doença em 28 de abril e permanece isolado e em estado estável. Para viabilizar a logística, a aeronave partiu da Inglaterra, escalou a Ilha de Ascensão — onde testes de detecção já haviam sido enviados para monitorar outro passageiro do mesmo cruzeiro — e realizou reabastecimento em voo para completar o trajeto. O brigadeiro Ed Cartwright destacou que a chegada da equipe e dos materiais trouxe tranquilidade aos cerca de 200 moradores da região.

O surto originou-se no cruzeiro MV Hondius, onde seis casos de hantavírus foram confirmados, resultando em três mortes, incluindo a de uma passageira alemã. A doença, que provoca febre, dores corporais e quadros respiratórios graves, é geralmente transmitida por roedores, mas a cepa identificada nesta embarcação apresenta capacidade de transmissão entre humanos. Outro britânico infectado segue internado na África do Sul, enquanto governos de diversos países monitoram pessoas que tiveram contato com os viajantes.

No último domingo (10), o navio atracou nas Ilhas Canárias, na Espanha, para o desembarque de passageiros e parte da tripulação. A operação ocorre sob rigoroso controle sanitário, com exames realizados a bordo e transporte de grupos isolados até o aeroporto de Tenerife. As autoridades espanholas garantiram que não haverá interação entre os passageiros e a população local, medida que visa mitigar a preocupação dos residentes, embora a OMS classifique o risco para a comunidade como baixo. Após a retirada dos tripulantes e passageiros, a embarcação seguirá para a Holanda para passar por um processo de desinfecção.

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