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Reino Unido tipificará como crime a invasão de residências para a venda de entorpecentes

10 de Junho de 2026 às 06:12

A Polícia Metropolitana de Londres registrou 1.539 casos de cuckooing, a invasão de casas de vulneráveis para tráfico de drogas, entre maio de 2025 e abril de 2026. A Lei de Crime e Policiamento de 2026 prevê a tipificação da prática como crime autônomo com pena máxima de cinco anos de prisão

Reino Unido tipificará como crime a invasão de residências para a venda de entorpecentes
BBC

O Reino Unido enfrenta um crescimento alarmante do chamado *cuckooing*, prática em que criminosos invadem residências de pessoas vulneráveis para transformá-las em centros de armazenamento e venda de entorpecentes. A tática, que recebe esse nome em referência ao comportamento de aves que ocupam ninhos alheios, atinge prioritariamente idosos, pessoas com deficiência e dependentes químicos.

A gravidade do cenário é evidenciada por dados da Polícia Metropolitana de Londres, que registrou 1.539 casos entre maio de 2025 e abril de 2026, dos quais 1.275 vítimas eram homens. O volume de investigações em que a ocupação criminosa era a preocupação central saltou de 380 no ano fiscal de 2023/2024 para 1.078 no período de 2025/2026. As autoridades atribuem esse salto a uma maior conscientização policial, mudanças na coleta de dados e a expansão da estratégia por parte dos traficantes.

A dinâmica do crime está intrinsecamente ligada às operações de *county lines*, que consistem no transporte de drogas de grandes centros urbanos para áreas rurais e cidades menores. Nesse processo, criminosos buscam imóveis para estabelecer bases operacionais. Em casos de dependentes químicos, a ocupação ocorre frequentemente após a criação de dívidas impagáveis; em um dos relatos, uma vítima teve o valor de sua dívida acrescido em 2 mil libras, sendo forçada a aceitar a moradia de um traficante em sua casa até a quitação do montante.

Outras vítimas, como pessoas com sequelas de lesões cerebrais, relatam que a abordagem inicial dos criminosos é amigável, evoluindo para a tomada do imóvel, furtos de bens pessoais e agressões físicas. O Conselho Nacional de Chefes de Polícia do Reino Unido (NPCC) descreve que as vítimas frequentemente se tornam prisioneiras em seus próprios domicílios, sentindo medo de denunciar os abusos por receio de represálias.

Visitas policiais a imóveis suspeitos revelam quadros severos de insalubridade, com presença de fezes, lixo acumulado, alimentos crus abandonados e estruturas danificadas, como portas arrancadas das dobradiças.

Atualmente, o *cuckooing* não é tipificado como um crime específico na legislação britânica, o que dificulta a mensuração exata do problema. Para combater a prática, as forças de segurança utilizam acusações de posse de drogas, crimes análogos à escravidão ou ordens de fechamento temporário dos imóveis. No entanto, a eficácia dessas medidas é questionada por vítimas que demandam maior apoio estatal para evitar a exploração.

Para enfrentar a lacuna jurídica, a Lei de Crime e Policiamento de 2026 prevê a tipificação do *cuckooing* como crime autônomo até o final do ano, com pena máxima de cinco anos de prisão. A implementação definitiva depende agora da publicação de orientações oficiais do governo para as polícias. Enquanto isso, pesquisadores da Universidade de Leeds alertam que, apesar dos avanços, ainda há deficiências na identificação de vítimas vulneráveis e na resposta institucional ao crime.

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