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Relatório de comissão israelense aponta violência sexual sistemática cometida pelo Hamas e grupos aliados

12 de Maio de 2026 às 18:24

Comissão israelense publicou relatório apontando violência sexual sistemática cometida pelo Hamas e aliados em 7 de outubro de 2023 e no cativeiro em Gaza. O documento baseou-se em 1.800 horas de vídeos, 10 mil fotos e 430 entrevistas. O Hamas nega as acusações

Relatório de comissão israelense aponta violência sexual sistemática cometida pelo Hamas e grupos aliados
REUTERS/Lisi Niesner

Uma comissão israelense divulgou, nesta terça-feira (12), um relatório de 300 páginas que aponta a existência de violência sexual sistemática e em larga escala cometida pelo Hamas e grupos palestinos aliados. De acordo com o documento, tais crimes ocorreram tanto durante a invasão ao território israelense em 7 de outubro de 2023 quanto no período de cativeiro dos reféns levados para a Faixa de Gaza.

A investigação, conduzida por um órgão criado em novembro de 2023 por uma jurista israelense, classifica a violência de gênero como um elemento central dos ataques e de suas consequências. O relatório detalha que a tortura e a violência sexual foram utilizadas repetidamente em diversas fases da operação, abrangendo o sequestro e o transporte das vítimas, com o intuito de ampliar a humilhação e o terror. Para a comissão civil, essas condutas configuram crimes de guerra, crimes contra a humanidade e atos de genocídio sob a ótica do direito internacional.

A base factual do documento incluiu a análise de mais de 1.800 horas de material visual, composto por cerca de 10 mil fotografias e vídeos, além da realização de mais de 430 reuniões e entrevistas com testemunhas, sobreviventes, parentes de vítimas e ex-reféns. O relatório também se apoia em processos oficiais e depoimentos filmados. Entre os relatos citados, Raz Cohen, sobrevivente do festival de música Nova, descreveu ter presenciado estupros e assassinatos ocorridos durante o evento.

O Hamas nega as acusações desde que foram apresentadas em 2023. O ataque inicial, que rompeu a fronteira entre Gaza e Israel e atingiu postos militares, delegacias e comunidades rurais, resultou na morte de 1.221 pessoas, a maioria civis. Na ocasião, 251 indivíduos foram sequestrados, dos quais 44 morreram no dia da invasão. Dos 207 reféns que chegaram a ser mantidos vivos em Gaza, 41 morreram no cativeiro. Os últimos 20 reféns sobreviventes foram libertados em outubro de 2025, após um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.

A divulgação do relatório ocorreu simultaneamente a uma investigação do jornal The New York Times, que aponta a prática de violência sexual generalizada por parte de soldados, colonos, interrogadores e guardas prisionais israelenses contra detidos palestinos, afirmação que Israel rejeita.

Enquanto isso, a resposta militar de Israel na Faixa de Gaza causou a morte de mais de 72 mil pessoas, segundo dados do Ministério da Saúde local, reconhecidos pela ONU. Esse cenário levou a África do Sul a acionar a Corte Internacional de Justiça (CIJ) para acusar Israel de genocídio. Em janeiro de 2024, a CIJ determinou que Israel adote medidas para evitar atos de genocídio, alertando para o risco iminente de danos irreparáveis à população palestina.

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