Relatórios apontam que a violência sexual foi utilizada como ferramenta de guerra no conflito em Gaza
Relatórios da Comissão Civil de Israel e da ONU apontam o uso sistemático de violência sexual pelo Hamas nos ataques de 7 de outubro de 2023. Paralelamente, denúncias e estudos de organizações como Save the Children e B'Tselem registram abusos sexuais cometidos por forças de segurança israelenses contra palestinos. Israel e o Hamas negam as respectivas acusações
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Relatórios recentes detalham a dimensão da violência sexual cometida por ambos os lados no conflito em Gaza, evidenciando que abusos de gênero foram utilizados como ferramentas de guerra e punição.
Uma investigação de dois anos realizada pela Comissão Civil de Israel, grupo independente não governamental, concluiu que o Hamas integrou a violência sexual e baseada em gênero de forma sistemática e deliberada em sua estratégia de ataque em 7 de outubro de 2023. O documento, elaborado sob metodologias internacionais de documentação de crimes de guerra e apoiado por figuras como Hillary Clinton e Irwin Cotler, aponta que mulheres, reféns e menores foram os principais alvos. A análise de centenas de testemunhos e milhares de arquivos audiovisuais revelou que abusos ocorreram em bases militares e no Festival de Música Super Nova, inclusive na presença de familiares. O relatório descreve o uso de tortura sexual para maximizar o sofrimento, citando estupros, mutilações, queimaduras, inserção de objetos na genitália e execuções. O Hamas nega as acusações.
Essas conclusões convergem com a análise de Pramila Patten, representante especial da ONU sobre violência sexual em conflitos. Em missão de apuração, Patten afirmou haver motivos razoáveis para acreditar na ocorrência de estupros e estupros coletivos relacionados ao conflito. Embora não tenha visitado a Faixa de Gaza devido aos combates, a representante da ONU constatou, em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, relatos de tratamento degradante de palestinos detidos, incluindo assédio sexual, ameaças de estupro e revistas corporais invasivas.
Paralelamente, denúncias de violência sexual cometida por agentes de segurança israelenses contra palestinos surgiram em diversos relatos. Testemunhos colhidos pelo jornal The New York Times indicam um padrão de abusos generalizados praticados por soldados, colonos, guardas prisionais e interrogadores do Shin Bet contra homens, mulheres e crianças. Em texto de opinião baseado em entrevistas com 14 vítimas e seus familiares, Nicholas Kristof detalha agressões graves cometidas por forças de segurança e colonos. O Ministério das Relações Exteriores de Israel refuta tais alegações, classificando-as como difamação e parte de uma campanha contra o país.
A violência contra menores também é documentada. Um estudo de 2025 da organização Save the Children indica que mais da metade das crianças palestinas entrevistadas sofreu ou presenciou violência sexual durante a detenção israelense, incluindo toques genitais, atos humilhantes em nudez e ameaças de estupro. Relatórios do Centro Palestino de Direitos Humanos, de maio de 2025, e do B'Tselem, de agosto de 2024, corroboram a tese de que a violência sexual é utilizada por guardas e soldados israelenses como método de punição contra detentos.
Enquanto a Comissão Civil de Israel caracteriza a violência sexual do Hamas como ferramenta de guerra, a análise de Kristof sugere que, embora não existam evidências de ordens diretas de líderes israelenses para a prática de estupros, criou-se um aparato de segurança onde tais abusos se tornaram parte dos procedimentos operacionais e dos maus-tratos contra palestinos. Devido à intensidade do conflito, a ONU admite que a real dimensão da violência sexual ocorrida desde 7 de outubro pode levar anos para ser totalmente compreendida ou talvez nunca seja plenamente revelada.