República Democrática do Congo registra 933 casos de ebola causados por variante sem vacina
A província de Ituri, na República Democrática do Congo, é o epicentro de um surto da variante Bundibugyo do ebola, que soma 933 casos e 245 óbitos. A doença atingiu outras províncias e Uganda, com 35 mil pessoas sob monitoramento. O governo determinou a gratuidade dos serviços de saúde em Ituri e o aumento de bônus aos profissionais
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O leste da República Democrática do Congo enfrenta o maior surto de ebola dos últimos anos, com a província de Ituri consolidada como o epicentro da crise. A gravidade da situação ficou evidente nesta sexta-feira (19), durante o sepultamento de uma bebê de seis meses, terceira vítima da doença em um orfanato da região. Devido aos protocolos de biossegurança para conter a transmissão, o corpo foi conduzido à sepultura exclusivamente por agentes de saúde equipados com luvas e máscaras, sob a observação de familiares, religiosos e moradores.
O cenário reflete a dificuldade das autoridades sanitárias em equilibrar as normas rígidas de controle epidemiológico com os rituais funerários locais, que historicamente atuaram como vetores de propagação do vírus. A situação é agravada pelo fato de o surto atual ser causado pela variante Bundibugyo, que, diferentemente da cepa Zaire, não possui vacinas ou tratamentos aprovados. Essa carência de imunizantes e terapias específicas comprometeu a resposta inicial e facilitou a disseminação da enfermidade.
De acordo com o ministro da Saúde do Congo, Roger Kamba, a epidemia já soma 933 casos confirmados e 245 óbitos. Embora a maioria dos registros esteja concentrada em Ituri, a doença já atingiu as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, além de ter cruzado a fronteira para Uganda, onde foram registradas 19 infecções e duas mortes. O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças estima que 35 mil pessoas tenham sido expostas ao vírus e permaneçam sob monitoramento.
A gestão da crise enfrenta entraves logísticos e sociais, incluindo a escassez de equipamentos de proteção individual e a resistência de algumas comunidades ao isolamento e aos protocolos de enterro seguro. Para tentar reverter esse quadro, o ministro Roger Kamba determinou, durante visita à cidade de Bunia, a gratuidade de todos os serviços de saúde em Ituri e o dobro do pagamento de bônus aos profissionais da área.
Apesar da preocupação com a velocidade de propagação, a escala do surto atual permanece inferior à epidemia ocorrida na África Ocidental entre 2014 e 2016, que resultou em mais de 11 mil mortes.