República Democrática do Congo registra mais de 2 mil casos de ebola com propagação acelerada
A República Democrática do Congo registra mais de 2 mil casos de ebola e 754 mortes causadas pela variante Bundibugyo. A OMS indica que a propagação ocorre por cadeias de transmissão desconhecidas e que faltam recursos financeiros e logísticos. Não há vacinas ou tratamentos disponíveis para esta cepa
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A República Democrática do Congo (RDC) enfrenta um surto de ebola com propagação acelerada, totalizando mais de 2 mil casos confirmados e 754 mortes, conforme dados divulgados pelas autoridades de saúde do país nesta quarta-feira (15). A epidemia atinge cinco províncias e avança por novas áreas em um ritmo descrito como sem precedentes.
Desafios no controle da transmissão
A Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou que a variante do vírus responsável pela crise, a Bundibugyo, pode ter um número de infectados entre duas e quatro vezes superior às estimativas oficiais. Um dos principais obstáculos ao controle epidemiológico é a origem dos novos contágios: 80% dos casos recentes não fazem parte de listas de contatos conhecidos, surgindo de cadeias de transmissão desconhecidas.
Chikwe Ihekweazu, diretor de operações de emergência da OMS, destacou que a situação é agravada pelo fato de muitos pacientes falecerem antes de conseguirem acessar as unidades de saúde.
Resposta médica e recursos
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou que a atual crise já superou a metade do volume de casos registrados na epidemia ocorrida entre 2018 e 2020, que se estendeu por quase dois anos. Diante da gravidade, a ONG solicitou a ampliação urgente da resposta médica.
No campo do tratamento e prevenção, a situação apresenta os seguintes pontos:
- Vacinas e terapias: Não existem, no momento, vacinas ou tratamentos disponíveis para a variante Bundibugyo.
- Inovação: A Universidade de Oxford iniciou o primeiro ensaio clínico em humanos para uma vacina contra essa cepa específica.
- Antivirais: A OMS anunciou que o primeiro teste clínico para avaliar a eficácia de um medicamento antiviral começou na última terça-feira.
Apesar dos esforços, a OMS informou que dispõe de menos da metade dos recursos financeiros e logísticos necessários para combater a propagação do vírus no território congolês.