República Democrática do Congo registra mais de mil casos de ebola com 254 mortes confirmadas
A República Democrática do Congo registrou 1.003 casos de ebola e 254 mortes até domingo (21). O surto concentra-se na província de Ituri, com destaque para o campo de deslocados de Kigonze, em Bunia. A região enfrenta cortes no financiamento internacional para saneamento e higiene
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A República Democrática do Congo contabiliza 1.003 casos de ebola, com 254 mortes confirmadas até a noite de domingo (21). O surto, declarado oficialmente em 15 de maio, embora apresente óbitos anteriores a essa data, concentra-se na província de Ituri, onde se localiza Bunia, epicentro da crise e região que abriga mais de 90% dos cerca de 900 casos confirmados.
A situação é crítica no campo de deslocados de Kigonze, em Bunia, que recebe mais de 15 mil pessoas refugiadas de conflitos armados. O local registrava historicamente entre uma e três mortes mensais, mas apenas na última semana dez moradores foram enterrados. Entre as vítimas recentes, no dia 19, morreu uma bebê de seis meses.
Desde o início de maio, autoridades locais e organizações humanitárias observaram um aumento incomum de óbitos no acampamento. Embora a dimensão real do surto seja incerta devido à resistência de familiares e moradores em permitir a testagem de pacientes e corpos, sintomas como vômitos, dor de cabeça e febre foram relatados em diversas vítimas. O porta-voz de Kigonze, Désiré Grodya Bapi, informou que amostras coletadas de cinco vítimas testaram positivo para o vírus, dado corroborado por fontes da resposta ao surto.
A disseminação do ebola, transmitido pelo contato com fluidos corporais como sangue e fezes, é favorecida pelas condições sanitárias precárias de Kigonze. Famílias vivem em barracas improvisadas com menos de um metro de distância entre si e enfrentam a insuficiência de banheiros, que frequentemente transbordam.
Esse cenário é agravado por cortes severos em financiamentos internacionais para água, saneamento e higiene na República Democrática do Congo. Entre 2024 e 2025, os recursos para essas áreas caíram para aproximadamente US$ 38 milhões, pouco mais da metade do montante do ano anterior. No ciclo atual, agências humanitárias conseguiram apenas 21% dos US$ 80 milhões solicitados. Como consequência, quatro organizações que atuam na região reportaram a suspensão ou redução de programas de abastecimento de água e construção de sanitários para populações deslocadas.
Além de Kigonze, outros campos de refugiados na região também registraram mortes pela doença. As autoridades de saúde buscam expandir o rastreamento de contatos e a testagem, mas enfrentam a precariedade da infraestrutura e a instabilidade de uma área marcada por anos de guerra e deslocamentos populacionais em massa.