Mundo

República Democrática do Congo registra mais de mil casos de ebola com foco na província de Ituri

22 de Junho de 2026 às 06:06

A República Democrática do Congo registrou 1.003 casos de ebola e 254 mortes desde 15 de maio, com a maioria dos registros na província de Ituri. O surto concentra-se no campo de deslocados de Kigonze, onde a propagação é favorecida por condições sanitárias precárias e redução de financiamento humanitário

República Democrática do Congo registra mais de mil casos de ebola com foco na província de Ituri
Reuters

A República Democrática do Congo contabiliza 1.003 casos de ebola, com 254 mortes confirmadas até a noite de domingo (21). O surto, declarado oficialmente em 15 de maio, embora apresente óbitos anteriores a essa data, concentra mais de 90% de seus registros — cerca de 900 casos — na província de Ituri.

A situação é crítica no campo de deslocados de Kigonze, em Bunia, epicentro da epidemia. O local abriga mais de 15 mil pessoas refugiadas de conflitos armados e registrou um aumento atípico de óbitos desde o início de maio. Enquanto a média mensal de mortes no acampamento variava entre uma e três, apenas na última semana dez pessoas foram enterradas, incluindo uma bebê de seis meses na sexta-feira (19).

A dimensão real da propagação do vírus permanece incerta devido à resistência de familiares e moradores em permitir a testagem de pacientes e corpos. No entanto, líderes comunitários e trabalhadores humanitários relatam que diversas vítimas apresentavam sintomas característicos, como vômitos, dor de cabeça e febre. Amostras coletadas de cinco vítimas em Kigonze testaram positivo para ebola, e outras mortes em campos de deslocados da região também foram atribuídas à doença.

A disseminação do vírus é favorecida pelas condições sanitárias precárias em Kigonze, onde famílias vivem em barracas improvisadas com menos de um metro de distância entre si e utilizam banheiros insuficientes que transbordam frequentemente. O risco é elevado, pois o ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais, como fezes, vômito e sangue.

Esse cenário de vulnerabilidade é agravado por uma queda drástica no financiamento internacional para água, saneamento e higiene na República Democrática do Congo. Entre 2024 e 2025, os recursos para essas áreas foram reduzidos para aproximadamente US$ 38 milhões, pouco mais da metade do montante do ano anterior. No ciclo atual, as agências humanitárias receberam apenas 21% dos US$ 80 milhões solicitados.

Como consequência direta desses cortes, programas de construção de banheiros e abastecimento de água para populações deslocadas foram suspensos ou reduzidos. Para conter a transmissão, as autoridades de saúde buscam ampliar o rastreamento de contatos e a testagem, mas enfrentam a precariedade da infraestrutura local e a resistência de parte da população em uma região historicamente marcada por conflitos armados.

Notícias Relacionadas