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Restrições de vistos nos Estados Unidos impedem torcedores de diversos países de irem à Copa

11 de Junho de 2026 às 12:08

Restrições imigratórias e altas taxas de rejeição de vistos nos Estados Unidos dificultam a ida de torcedores de países classificados para a Copa do Mundo. Entre outubro de 2024 e setembro de 2025, 11 das 48 nações participantes tiveram índices de recusa de vistos superiores a 40%

Restrições de vistos nos Estados Unidos impedem torcedores de diversos países de irem à Copa
Abdulla Adnan

Restrições imigratórias e altas taxas de rejeição de vistos nos Estados Unidos estão impedindo torcedores de diversas nações classificadas para a Copa do Mundo de comparecerem ao torneio. Uma análise de dados de viagens indica que mais de um quarto dos países participantes enfrenta barreiras para entrar em território americano, seja por proibições diretas, exigências rigorosas ou negativas sistemáticas de documentos.

O cenário é crítico para cidadãos de países como Haiti, Irã, Senegal e Costa do Marfim, que estão incluídos em uma lista de restrições do governo de Donald Trump. Para esses torcedores, o visto de visitante recomendado pelas autoridades americanas é inacessível. A rigidez nas políticas de imigração e a repressão a migrantes indocumentados, pilares da campanha de reeleição de Trump em 2024, justificam a postura do governo, que alega a necessidade de controle rigoroso diante do fluxo migratório nas fronteiras.

A dificuldade se estende a nações que não estão na lista de proibições. No Iraque, a suspensão de serviços consulares de rotina — motivada por preocupações de segurança após o início do conflito entre EUA e Israel contra o Irã — impossibilitou a realização de entrevistas presenciais obrigatórias. Torcedores iraquianos tentaram buscar alternativas em países vizinhos, como a Jordânia, mas foram barrados por não possuírem a cidadania local.

Dados do Departamento de Estado revelam que, entre outubro de 2024 e setembro de 2025, a taxa de rejeição de vistos para cidadãos de 11 dos 48 países classificados superou os 40%. O grupo inclui Equador, Egito, Haiti, Argélia, Uzbequistão, Cabo Verde, Jordânia, Irã, República Democrática do Congo, Gana e Senegal. Esse índice é superior à média geral de 34% para vistos de turismo e negócios. Na Jordânia, especificamente, 57% dos pedidos foram negados no período.

Enquanto 42 países, majoritariamente ricos, utilizam o sistema de isenção de visto (Esta) com custo de US$ 40 e solicitação online, torcedores de outras nações devem pagar US$ 185 e comprovar capacidade financeira e intenção de deixar os EUA. Embora o governo americano tenha retirado a exigência de depósitos de até US$ 15 mil para cidadãos de Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal e Tunísia que possuam ingressos, a medida não resolveu o problema do acesso ao visto.

A Fifa implementou o Fifa Pass para priorizar detentores de ingressos em entrevistas consulares, mas a medida acelera apenas o processo, sem aumentar as chances de aprovação. Especialistas em imigração apontam que, mesmo com o visto, a entrada final depende da decisão das autoridades de fronteira (CBP).

O Departamento de Segurança Interna justifica o rigor citando mais de 538 mil casos de permanência ilegal após o vencimento do visto entre outubro de 2023 e setembro de 2024. O Pew Research Center estima que, em 2023, havia 14 milhões de imigrantes irregulares nos EUA.

O torneio é coorganizado por Canadá e México, mas 78 das 104 partidas ocorrerão nos Estados Unidos. Ambos os coanfitriões possuem sistemas de imigração distintos. O México não tem representação diplomática para atendimento em oito países classificados, incluindo Iraque e Senegal. Já o Canadá, que registrou taxa geral de recusa de vistos de 54% em 2025, não possui centros de coleta de dados biométricos para cidadãos do Irã e de Cabo Verde. Além disso, o governo canadense impôs restrições de entrada a países afetados pelo surto de Ebola, como a República Democrática do Congo.

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