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Roberto Sánchez assume a liderança na apuração do segundo turno das eleições presidenciais do Peru

08 de Junho de 2026 às 15:14

Roberto Sánchez lidera a apuração do segundo turno das eleições presidenciais do Peru com 50,008% dos votos, contra 49,992% de Keiko Fujimori. Com 93,9% das urnas contabilizadas, o resultado final do pleito segue indefinido

Roberto Sánchez assume a liderança na apuração do segundo turno das eleições presidenciais do Peru
ERNESTO BENAVIDES / AFP

Roberto Sánchez assumiu a liderança na apuração do segundo turno das eleições presidenciais do Peru, superando Keiko Fujimori. Com 93,9% das urnas contabilizadas, o deputado de esquerda soma 50,008% dos votos, enquanto a candidata conservadora detém 49,992%. A definição final do pleito segue indefinida devido à margem mínima entre os concorrentes.

A virada de Sánchez ocorreu após horas de apuração em que Fujimori aparecia como vencedora, tendência que havia sido reforçada por pesquisas de boca de urna. O crescimento do candidato de esquerda aconteceu no fechamento da contagem, período em que os votos das zonas rurais — onde ele possui maior força eleitoral — são processados. No primeiro turno, Fujimori havia ficado em primeiro lugar com 17,2% dos votos válidos, seguida por Sánchez, que obteve 12%.

As seções eleitorais encerraram as atividades às 17h locais (19h de Brasília). Diferente do primeiro turno, que foi marcado por denúncias de fraude e falhas técnicas, esta etapa transcorreu sem incidentes significativos. O processo ocorreu em um cenário de extrema fragmentação política, com a disputa contando com 35 candidatos à Presidência.

A instabilidade institucional do Peru é evidenciada pelo fato de o país ter tido nove presidentes nos últimos dez anos, embora o mandato legal seja de cinco anos. Essa volatilidade é impulsionada pelo artigo 113 da Constituição, que permite ao Congresso derrubar um presidente por "incapacidade moral ou física permanente". Na prática, esse mecanismo possibilita a remoção de um governante eleito em menos de 24 horas, caso haja discordância parlamentar sobre leis ou projetos.

Essa fragilidade institucional é agravada pela atuação da coalizão fujimorista, que mantém maioria absoluta no Congresso e articula influência no Legislativo e no Judiciário. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente condenado Alberto Fujimori, lidera essa corrente desde 2008 com a fundação do partido Fuerza Popular, mas ainda não conseguiu acessar o Poder Executivo.

O conflito entre os poderes Executivo e Legislativo resultou em uma crise de credibilidade. Dados do Latinobarómetro indicam que o Peru possui um dos menores níveis de confiança institucional da América Latina, caracterizando-se por uma desconfiança crônica. Atualmente, 90% dos peruanos não confiam no governo e no Congresso, e apenas 10% declaram satisfação com a democracia.

O sistema partidário peruano também contribui para o cenário, com a criação facilitada de legendas sem raízes sociais ou fidelidade ideológica. A existência de partidos pouco institucionalizados, que surgem e desaparecem rapidamente, reforça a percepção do eleitor de que os candidatos carecem de base sólida, aumentando o temor sobre a efemeridade dos mandatos eleitos.

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