Roberto Sánchez reconhece a derrota na disputa presidencial contra Keiko Fujimori no Peru
Roberto Sánchez reconheceu a derrota na eleição presidencial do Peru para Keiko Fujimori nesta segunda-feira (6). Fujimori venceu o segundo turno com 50,135% dos votos contra 49,865% de Sánchez. O resultado foi oficializado pelo Jurado Nacional Eleitoral
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/V/k/zy6T0VTpWrps8nFnJViA/2026-06-20t013706z-1066085138-rc2cxlagqs8y-rtrmadp-3-peru-election-sanchez-protest.jpg)
Roberto Sánchez, candidato do partido Juntos por el Perú, reconheceu nesta segunda-feira (6) a derrota na disputa presidencial contra a conservadora Keiko Fujimori. A aceitação do resultado ocorre três dias após a proclamação oficial da vitória de Fujimori pelo Jurado Nacional Eleitoral (JNE), órgão máximo da Justiça eleitoral peruana.
A eleição, realizada em 7 de junho, foi marcada por uma polarização extrema, com a diferença entre os candidatos limitada a 49.641 votos. Keiko Fujimori venceu o segundo turno com 50,135% dos votos (9.223.396), enquanto Sánchez obteve 49,865% (9.173.755).
O reconhecimento da derrota encerra um período de contestação por parte do candidato de esquerda. Sánchez havia alegado a existência de uma fraude na apuração, liderado marchas de protesto e acionado a Justiça para anular votos de Lima e do exterior. O candidato argumentava que irregularidades administrativas na gestão das cédulas de votação fora do país teriam prejudicado seu desempenho, afirmando que seria o vencedor caso apenas os votos em território peruano fossem contabilizados.
O JNE, no entanto, julgou improcedente o pedido de impugnação das urnas externas. Além disso, a tentativa de anular esses votos foi classificada por juristas consultados pelo jornal El Comercio como desprovida de fundamento jurídico, servindo apenas para retardar a oficialização do pleito. Antes da rendição, Sánchez chegou a ameaçar levar a disputa à Corte Internacional de Direitos Humanos.
Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular e filha do ex-ditador Alberto Fujimori, assume a presidência em um cenário de profunda instabilidade política. O Peru teve oito presidentes nos últimos oito anos. A nova mandatária substitui José María Balcázar Zelada, que governava interinamente há quatro meses. Zelada havia assumido após a destituição de José Jeri, afastado pelo Congresso por má conduta devido a reuniões não declaradas com empresários chineses.
A sucessão presidencial recente no país foi marcada por crises sucessivas: Dina Boluarte foi destituída por escândalos de corrupção após ter substituído Pedro Castillo, que foi preso ao tentar dissolver o Congresso e declarar estado de exceção para evitar um impeachment.
Ao assumir o cargo, Fujimori enfrenta o desafio de governar um Legislativo dividido entre esquerda e direita, além de lidar com a alta criminalidade e problemas sociais urgentes. Em discurso proferido no dia 24, quando a vantagem na apuração tornou-se irreversível, a presidente eleita comprometeu-se a trabalhar na unificação do país.