Rússia adota camuflagem de Primeira Guerra Mundial para tentar confundir algoritmos de drones ucranianos
O exército russo aplicou a técnica de camuflagem dazzle, com padrões geométricos de alto contraste, em caminhões de logística para confundir algoritmos de visão artificial de drones ucranianos. A estratégia visa distorcer a identificação dos alvos, embora torne os veículos mais visíveis ao olho humano e seja ineficaz contra sensores térmicos e radares
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O exército russo implementou a pintura de veículos de logística com padrões geométricos de alto contraste para tentar neutralizar a eficácia de drones ucranianos. A tática, que utiliza faixas e manchas irregulares nas cores branco, preto e tons originais de fábrica em caminhões Ural e Kamaz, baseia-se na "camuflagem dazzle", sistema desenvolvido em 1917 por Norman Wilkinson para a Marinha Britânica durante a Primeira Guerra Mundial.
Diferente da camuflagem tradicional, o objetivo desse método não é a invisibilidade, mas a distorção visual. Na Primeira Guerra, a técnica visava enganar os telêmetros ópticos de periscópios alemães, dificultando o cálculo da trajetória de navegação dos navios. Embora a eficácia tenha sido debatida por Londres, registros americanos de 1918 indicaram a redução de afundamentos na frota mercante. O uso massivo persistiu até a Segunda Guerra Mundial, quando a chegada do radar e da mira aérea tornou a estratégia obsoleta no mar e ineficaz em aeronaves.
Atualmente, a Rússia adapta esse conceito para enfrentar enxames de veículos aéreos autônomos que identificam e perseguem alvos sem a necessidade de pilotos. A estratégia foca em confundir os algoritmos de visão artificial, que classificam objetos por meio de relações geométricas. Ao alterar o contorno dos caminhões com linhas estridentes, cria-se um ruído visual que reduz o nível de confiança do software. Se a pontuação matemática de confirmação do alvo cair abaixo do limite programado, o drone aborta o ataque. Essa lógica de distorção é comparável a colocar pneus nas asas de um avião para dificultar a identificação do modelo por sistemas de IA, conforme exemplificado por Schuyler Moore, ex-diretora de tecnologia do Comando Central dos Estados Unidos.
Essa medida integra um conjunto de adaptações russas no campo de batalha, que já incluem o uso de gaiolas metálicas, blindagem de madeira e a aplicação de camuflagens semelhantes na frota do Mar Negro. Além de tentar proteger os suprimentos, a mudança constante na aparência dos veículos força a engenharia ucraniana a investir tempo e recursos no reentrenamiento contínuo dos algoritmos de mira.
Contudo, a técnica apresenta vulnerabilidades críticas. Os padrões de alto contraste tornam os caminhões mais visíveis ao olho humano do que a pintura militar padrão, permitindo que operadores ucranianos ignorem a falha da IA e realizem o ataque manualmente. Há também o risco de os sistemas autônomos serem reprogramados para buscar especificamente esses padrões disruptivos.
Por fim, a camuflagem dazzle é inútil contra as tecnologias predominantes no combate moderno. Sensores térmicos e de visão noturna rastreiam a assinatura de calor dos motores, ignorando as cores da superfície. Da mesma forma, radares de abertura sintética, que mapeiam a estrutura física via ondas de rádio, detectam os veículos independentemente da pintura aplicada.