Rússia constrói 17 hangares gigantes para proteger bombardeiros estratégicos contra ataques de drones
A Rússia constrói 17 hangares na base de Engels para proteger bombardeiros Tu-160 e Tu-95MS contra drones. A medida ocorre após a Operação Spiderweb, da Ucrânia, que inutilizou 34% da frota de bombardeiros russa com prejuízos de sete bilhões de dólares
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A Rússia iniciou a construção de ao menos 17 hangares gigantes na base aérea de Engels, situada a 480 quilômetros da fronteira com a Ucrânia, para proteger seus bombardeiros estratégicos contra ataques de drones. As obras, começadas em abril de 2025, visam resguardar as aeronaves Tu-160 Blackjack e Tu-95MS Bear-H, que compõem o núcleo da 22ª Divisão de Aviação de Bombardeio Pesado.
A medida marca o fim de uma doutrina militar russa que considerava a retaguarda segura devido à distância do front. A vulnerabilidade das bases remotas tornou-se evidente após a Operação Spiderweb, lançada em junho de 2025. Planejada durante 18 meses pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), a ofensiva utilizou caminhões de carga para contrabandear 117 drones explosivos dentro de caixas de madeira para o território russo. Os aparelhos foram implantados a curta distância das bases de Diáguilevo, Ivánovo, Bélaya e Olenya.
O impacto da operação resultou em prejuízos estimados em sete bilhões de dólares, inutilizando 34% de toda a frota de bombardeiros russos capazes de disparar mísseis de cruzeiro. No total, 41 aeronaves foram atingidas, com a destruição completa de 10 a 13 aparelhos, incluindo bombardeiros Tu-22M3, aviões de radar A-50 e aeronaves de transporte Il-78. Enquanto Moscou afirmou que os danos seriam reparados, o presidente ucraniano, Volodímir Zelenski, declarou que metade da frota atacada é irrecuperável, destacando a dificuldade de substituir modelos como o Tu-160, cujas linhas de produção estão inativas ou operam com baixa capacidade há décadas.
A eficácia dos drones ucranianos reside na capacidade de voar a baixas altitudes, contornando radares convencionais e operando em uma faixa atmosférica abaixo do voo de caças tradicionais, com auxílio de vídeo em tempo real. Anteriormente, o comando russo tentou mitigar os riscos com táticas visuais, como a pintura de silhuetas falsas de aviões no asfalto e o uso de pneus sobre as asas para enganar sensores ópticos, mas as medidas foram ineficazes. Em janeiro de 2025, depósitos de combustível em Engels foram incendiados em um ataque massivo e, em março, um depósito de munições na mesma base foi atingido, comprovando a fragilidade dos hangares de chapa ondulada.
A disparidade financeira da operação evidencia uma assimetria na economia de guerra: enquanto um drone com bateria de lítio e ogiva custa menos de 3.000 dólares, um bombardeiro Tu-160 é avaliado em 250 milhões de dólares. O almirante da OTAN, Pierre Vandier, comparou a estratégia ucraniana ao "método do Cavalo de Troia", citando a criatividade técnica e industrial da operação. Como reflexo dessa nova realidade, a Aliança Atlântica solicitou um aumento de 400% no financiamento global para sistemas de defesa aérea.
A vulnerabilidade a enxames de drones não é exclusiva da Rússia, tendo sido observada recentemente na base americana de Barksdale, onde a segurança foi burlada, expondo aeronaves B-52. Com a transformação da base de Engels em um bunker fortificado, a tendência é que Estados Unidos e outros membros da OTAN adotem medidas semelhantes de proteção.