Rússia e China criticam sistema de defesa antimísseis dos Estados Unidos por comprometer a estabilidade global
Rússia e China criticaram o projeto de defesa antimísseis Domo de Ouro, do governo Donald Trump, em comunicado conjunto nesta quarta-feira (20). O sistema, com orçamento de US$ 175 bilhões, prevê quatro camadas de proteção contra mísseis e deve ser concluído até 2029. A estratégia inclui a instalação de radares na Groenlândia para monitorar trajetórias russas e chinesas
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Rússia e China manifestaram oposição aos planos do governo de Donald Trump para a implementação do Domo de Ouro, sistema de defesa antimísseis em desenvolvimento pelo Pentágono. Em pronunciamento conjunto divulgado após encontro entre Vladimir Putin e Xi Jinping em Pequim, nesta quarta-feira (20), as duas nações afirmaram que o projeto compromete a estabilidade estratégica global. O documento classifica como desestabilizadoras as tentativas de realizar ataques preventivos para desarmar adversários e critica a postura dos Estados Unidos, que permitiram a expiração do Tratado Novo START no início deste ano, sem propor um substituto para o controle de arsenais nucleares firmado em 2010.
Anunciado em maio do ano passado e formalizado por decreto em janeiro de 2025, o Domo de Ouro é inspirado no sistema israelense Domo de Ferro. Com orçamento estimado em US$ 175 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão), o projeto visa proteger o território americano contra mísseis de cruzeiro, hipersônicos e balísticos sob a premissa de "paz pela força". Trump estabeleceu como meta a conclusão da estrutura até o fim de seu mandato, em 2029.
A arquitetura do sistema prevê a neutralização de ameaças em quatro etapas: a destruição antes do lançamento, a interceptação no início do voo, a interrupção durante o trajeto aéreo e a detecção nos minutos finais antes do impacto. Para isso, o projeto prevê quatro camadas de defesa. A primeira, baseada em satélites, será responsável pelo rastreamento e alerta. As três camadas terrestres envolverão radares, lasers e interceptadores. O plano inclui 11 baterias de curto alcance distribuídas entre o Havaí, Alasca e Estados Unidos continentais, além da criação de uma terceira base de lançamento no Centro-Oeste, somando-se às já existentes na Califórnia e no Alasca.
Essa nova base abrigará interceptadores de última geração (NGI) que, junto ao sistema THAAD, formarão a camada superior de defesa. O objetivo central é anular alvos na "fase de impulso", momento inicial da trajetória do míssil. A defesa final, denominada "camada inferior", utilizará novos radares e o sistema Patriot, além de um lançador versátil para diferentes tipos de interceptadores.
Um ponto central da estratégia é a utilização da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. Trump definiu a ilha como vital para o sistema, dado que ela representa a rota mais curta para mísseis balísticos russos atingirem os EUA. A localização é estratégica por situar-se na lacuna GIUK — corredor entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido que liga os oceanos Ártico e Atlântico. Washington pretende instalar radares terrestres e marítimos na região para monitorar embarcações russas e chinesas, especialmente com a abertura de novas rotas de navegação causadas pelo derretimento do gelo ártico.
Embora os EUA possuam base militar na ilha, o contingente caiu de 10 mil soldados no auge da Guerra Fria para menos de 200 atualmente. Além da vantagem militar, a Groenlândia atrai interesse pelos vastos recursos inexplorados de gás, petróleo, minerais críticos e terras raras, insumos essenciais para a indústria de defesa e tecnologias de energia renovável americana.
O projeto ainda se encontra em fases iniciais. Em agosto, o Pentágono reuniu 3 mil empreiteiros de defesa em Huntsville, Alabama, para coletar informações técnicas que deem suporte ao avanço do cronograma de implementação.