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Rússia e China realizam treinamentos militares secretos sobre proteção contra ameaças biológicas, químicas e radiológicas

01 de Julho de 2026 às 06:23

Rússia e China realizaram treinamentos militares secretos no ano passado, com foco em proteção contra ameaças biológicas, químicas e radiológicas. Cerca de 200 militares russos receberam instruções em instalações chinesas após acordo assinado em julho. O governo chinês nega a existência dos exercícios

Rússia e China realizam treinamentos militares secretos sobre proteção contra ameaças biológicas, químicas e radiológicas
Maxim Shemetov / Reuters

A cooperação militar entre Rússia e China atingiu um novo patamar estratégico com a realização de treinamentos secretos no ano passado, autorizados pessoalmente pelo ministro da Defesa russo, Andrei Belousov. Documentos internos e informações de funcionários europeus revelam que a iniciativa contou com a participação de pelo menos quatro generais de ambos os países, evidenciando a profundidade da aliança entre Moscou e Pequim em meio ao conflito na Ucrânia.

Um decreto emitido por Belousov em agosto de 2025 formalizou o envio de uma delegação das Forças Armadas da Rússia para instruções em instalações do Exército de Libertação Popular (PLA). Entre as atividades, destaca-se um curso de três semanas realizado em novembro, em Pequim, focado em proteção contra ameaças biológicas, químicas e radiológicas. Registros descrevem soldados russos estudando modelos de reatores nucleares, sistemas de ventilação contra contaminação e técnicas de reconhecimento de radiação e química.

A natureza desses treinamentos é considerada sensível por autoridades europeias, especialmente por envolver armamentos de alta periculosidade. Dados de inteligência indicam que a China instruiu cerca de 200 militares russos em novembro, sendo que alguns desses soldados teriam sido posteriormente deslocados para a guerra na Ucrânia. O acordo que viabilizou a operação, assinado em 2 de julho, teve como signatários o major-general russo Rustam Khusainov e o coronel sênior chinês Sun Dayun.

A delegação russa foi liderada pelo coronel-general Rustam Muradov, vice-comandante das forças terrestres. Outros oficiais de alta patente, como o major-general russo Vitaly Gerasimov, participaram de exercícios em Bengbu. Do lado chinês, a abertura de um dos cursos contou com a presença do major-general Li Jinsun, chefe da Academia Militar do PLA de Defesa Radiológica, Química e Biológica.

Apesar do avanço tecnológico e da qualidade dos simuladores e equipamentos chineses, relatórios internos russos sobre exercícios em Nanjing apontaram a falta de experiência de combate da China como uma limitação, contrastando com a vivência russa nos últimos quatro anos de guerra.

A União Europeia acompanha o fortalecimento desses laços com preocupação, já que a Rússia é vista como a principal ameaça à segurança do bloco desde 2022. Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE, confirmou que Bruxelas validou a ocorrência dos treinamentos por canais próprios e analisa as consequências. Há agora um debate interno nos 27 países membros sobre a necessidade de novas medidas, com a argumentação de que a China deve ser vista como facilitadora do esforço bélico russo, superando a análise puramente econômica. A UE já impôs sanções a empresas chinesas que apoiam a Rússia.

O governo chinês nega a existência dos exercícios, classifica as acusações como infundadas e afirma manter a neutralidade e o papel de mediador na Ucrânia. O Kremlin, por sua vez, não comentou os detalhes, mas criticou a divulgação de informações falsas pelo Ocidente. No campo político, o parlamentar russo Andrei Kartapolov, presidente do comitê de Defesa da Câmara Baixa, rechaçou a reportagem, alegando que as Forças Armadas da Rússia não teriam nada a aprender com a China.

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