Rússia inicia testes de sistema terrestre não tripulado que dispara mísseis de forma automatizada
As forças armadas russas testam o sistema terrestre não tripulado Kuryer com o módulo automatizado Bagulnik-82. O veículo de 250 quilos dispara mísseis de 82 milímetros em distâncias de 100 a 6.000 metros através de um braço robótico
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As forças armadas russas iniciaram a fase de testes de um novo sistema terrestre não tripulado capaz de disparar mísseis sem a necessidade de intervenção humana direta. O equipamento consiste em uma adaptação do veículo sobre esteiras Kuryer, que agora integra o módulo de mísseis totalmente automatizado Bagulnik-82, desenvolvido pela NRTK Kaps.
A principal inovação do sistema é a inclusão de um carregador mecânico automático em um espaço reduzido de volume e peso. Um braço robótico insere a munição no tubo do míssil em cinco segundos após cada disparo, garantindo uma cadência de fogo constante. O armamento utilizado é um míssil de 82 milímetros, derivado do modelo 2B24 (evolução do projeto 2B14-1), capaz de lançar minas de fragmentação 3-O-26 em distâncias entre 100 e 6.000 metros.
Para viabilizar a operação, o Kuryer — que pesa 250 quilos e atinge 35 quilômetros por hora — utiliza um canal de comunicação seguro e navegação própria. O veículo transporta a munição em um compartimento protegido e conta com uma torreta estabilizada, permitindo que a arma seja apontada em ângulos amplos sem que o chassi precise ser reposicionado no terreno.
A estratégia visa retirar soldados de posições vulneráveis, especialmente diante de radares inimigos que detectam projéteis em voo e permitem bombardeios imediatos no ponto de lançamento. Com a automação, o comando mantém o fogo indireto em áreas onde a sobrevivência de equipes humanas seria inviável. A versão com mísseis deve entrar em produção em série para mitigar a falta de pessoal operacional.
A plataforma Kuryer já possui um histórico de produção global expressivo, com versões anteriores atuando em conflitos reais para entrega de suprimentos ou apoio de fogo via lançadores de granadas e metralhadoras. Houve ainda testes com um acessório eletromagnético frontal para a detonação de minas à distância.
Paralelamente, a Ucrânia intensificou a robotização de seu exército para compensar a inferioridade numérica russa. O governo ucraniano implementou 15 mil robôs de guerra em 2025, com investimentos de 150 milhões de dólares apenas no primeiro trimestre do ano. Sistemas como Tavria, Wolly e Zmiy são geridos por inteligência artificial e links criptografados da Starlink para realizar ataques, evacuações e logística.
Nesse cenário de corrida tecnológica, destaca-se o Combat Gereon, veículo pesado desenvolvido por meio de parceria entre a alemã ARX Robotics, a ucraniana Frontline e a Valhalla Turrets. Apresentado na feira DSEI 2025, em Londres, o robô opera a até 40 quilômetros de sua base e suporta cargas de 500 quilos, podendo ser equipado com sensores pesados, canhões, lançadores de granadas ou a estação de armas remota LOKI. O gerenciamento e a autonomia operacional do Gereon são controlados pelo sistema Mithra OS, que permite a coordenação do veículo em rede com outras unidades.