Mundo

Rússia realiza desfile do Dia da Vitória em formato reduzido na Praça Vermelha em Moscou

11 de Maio de 2026 às 18:29

O desfile do Dia da Vitória em 9 de maio de 2026 ocorreu em formato reduzido na Praça Vermelha, sem tanques e mísseis, devido ao risco de ataques de drones ucranianos. Para proteger o evento, o governo russo deslocou sistemas de defesa aérea para a capital e interrompeu a internet móvel em Moscou e São Petersburgo

Rússia realiza desfile do Dia da Vitória em formato reduzido na Praça Vermelha em Moscou
EFE EPA ANATOLY MALTSEV

Pela primeira vez em duas décadas, o desfile do Dia da Vitória, realizado em 9 de maio de 2026, ocorreu em formato reduzido na Praça Vermelha, em Moscou. A ausência de tanques e mísseis balísticos, elementos centrais da imagem de poder de Vladimir Putin, foi motivada pelo risco de ataques de drones ucranianos contra veículos blindados e lançadeiras nas áreas de preparação. Para mitigar ameaças, o governo russo transferiu sistemas de defesa aérea de regiões remotas para a capital e interrompeu os serviços de internet móvel em Moscou e São Petersburgo nos dias anteriores ao evento.

A cerimônia, que tradicionalmente exibe a força militar russa, tornou-se um reflexo da fragilidade do Kremlin. O porta-voz Dmitri Peskov justificou a redução do evento citando "ameaças terroristas" vindas de Kiev. No entanto, o impacto político foi ampliado por um decreto de Volodymyr Zelenski, que "permitiu" a realização do desfile ao declarar que a Praça Vermelha não seria alvo de ataques, transformando a iniciativa em uma vitória de propaganda para a Ucrânia. Após a solenidade, Putin afirmou acreditar que o conflito estaria se aproximando do fim.

O cenário militar indica que a Rússia enfrenta dificuldades crescentes. A ofensiva de primavera não trouxe avanços significativos e, em abril, o país registrou a primeira perda territorial desde agosto de 2024, quando a Ucrânia invadiu a região de Kursk. Dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) apontam a perda de 113 quilômetros quadrados sob controle russo nos últimos trinta dias.

Essa vulnerabilidade forçou Putin a se refugiar em bunkers subterrâneos, limitando seu círculo de assessores e restringindo suas viagens internacionais, já que há uma ordem de prisão contra ele por crimes de guerra emitida pela Corte Penal Internacional, que conta com 125 países membros. Analistas do Atlantic Council, como Peter Dickinson, associam esse isolamento não apenas ao medo de ataques, mas à desconfiança em relação à elite russa e à percepção de que os índices de aprovação interna são manipulados.

A Ucrânia emergiu como uma potência militar central na Europa, com um efetivo próximo a um milhão de soldados — superando a soma dos exércitos de França, Alemanha, Itália e Reino Unido. A capacidade de realizar ataques profundos em território russo é impulsionada por drones e mísseis de produção nacional, o que garante maior autonomia estratégica. A tática ucraniana tem sido forçar a concentração da defesa aérea russa em Moscou para expor vulnerabilidades em outras regiões.

No campo de batalha, a situação russa é crítica. As baixas mensais giram em torno de 35 mil soldados, ritmo que excede a capacidade de reposição do país. Desde o início da invasão, quase 1,4 milhão de militares morreram ou foram gravemente feridos. A letalidade aumentou drasticamente: em março, Zelenski relatou que a proporção se inverteu, com quase dois mortos para cada ferido. O principal responsável são os drones FPV, que perseguem soldados individualmente e impedem a evacuação médica, deixando feridos no campo de batalha.

Internamente, a Rússia admite a perda de liderança tecnológica. Alexy Chadayev, diretor de um centro de testes de drones em Veliky Nóvgorod, apontou falhas graves na logística de última milha, onde ocorrem 90% das perdas de equipamentos. A "zona de controle de drones", faixa de 20 quilômetros onde o movimento é impossível, tem se expandido para a retaguarda russa, forçando o exército a reduzir comboios em Donetsk a apenas dois caminhões para evitar detecção.

Em março, a Ucrânia superou a Rússia no volume de ataques de drones de longo alcance, atingindo alvos a quase 2.000 quilômetros de sua fronteira. A projeção é que a aquisição de drones de médio alcance quintuplique em 2026 em relação a 2025. Ataques recentes atingiram a base aérea de Shagol, nos Urais do Sul, além de uma refinaria e uma estação de bombeamento em Perm.

O impacto econômico também é severo. A produção de petróleo russa caiu até 400 mil barris por dia em abril devido a ataques em portos e refinarias. Relatórios indicam que os portos de Novorossisk e Ust-Luga operaram com apenas 38% e 43% de sua capacidade, respectivamente. Além disso, a Ucrânia desenvolveu drones interceptores que derrubam cerca de 95% dos drones Shahed, tecnologia que a Rússia não conseguiu replicar.

Juridicamente, a possibilidade de prisão de Putin é vista por especialistas como o Dr. Andrew Forde, da Universidade de Dublin, como dependente de uma mudança de regime no Kremlin, seja por revolução democrática ou golpe militar. Enquanto isso, a falta de um caminho claro para a vitória e a incapacidade de justificar a continuidade da guerra aprofundam a crise de liderança do presidente russo.

Notícias Relacionadas