Rússia realiza teste bem-sucedido com o míssil balístico intercontinental RS-28 Sarmat
A Rússia testou com sucesso o míssil balístico intercontinental RS-28 Sarmat em 12 de maio de 2026, com lançamento de Plesetsk e impacto em Kamchatka. O armamento, com alcance de 18.000 quilômetros e capacidade para 16 ogivas, deve entrar em operação ativa até o fim do ano
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A Rússia realizou, em 12 de maio de 2026, o lançamento de um míssil balístico intercontinental RS-28 Sarmat. O projétil partiu da base de Plesetsk, na região de Arkhangelsk, às 11h15 (horário local), e atingiu o alvo no campo de testes de Kura, na península de Kamchatka, trinta minutos após a decolagem. O evento foi acompanhado por videoconferência pelo presidente Vladimir Putin, que recebeu a confirmação do sucesso do teste do general Sergei Karakayev, comandante das Forças de Mísseis Estratégicos.
O governo russo planeja colocar o sistema em operação ativa até o fim de 2026. A implantação começará com o primeiro regimento de mísseis na formação de Uzhur, no Krai de Krasnoyarsk, integrando a 62ª Divisão de Foguetes da Bandeira Vermelha. O Sarmat também será destinado à 13ª Divisão de Foguetes, na base de Dombarovsky, região de Orenburgo. Em ambas as localidades, o novo armamento substituirá os antigos mísseis soviéticos R-36M.
A entrada do RS-28 Sarmat em serviço ocorre em um cenário de ausência de regramentos internacionais. O Novo START, acordo bilateral entre Moscou e Washington que limitava os arsenais nucleares estratégicos, expirou definitivamente em 5 de fevereiro de 2026. Sem restrições legais, a Rússia pode agora implantar o novo sistema e avançar em outros programas de modernização, como o Avangard, sem limites numéricos de lançadores.
Desenvolvido pela Oficina de Design de Foguetes Makeyev, o Sarmat — designado pela OTAN como SS-X-29 ou SS-X-30 — é um míssil de três estágios com propulsão a combustível líquido, lançado de silos subterrâneos. Com 35,3 metros de comprimento, 3 metros de diâmetro e 208 toneladas, o projétil possui alcance de 18.000 quilômetros. Sua capacidade de carga útil chega a 10 toneladas, permitindo o transporte de até 16 ogivas nucleares independentes, cada uma com potência de 750 kilotons, ou três veículos hipersônicos Avangard que superam a velocidade Mach 20.
O projeto foi concebido para neutralizar sistemas de defesa antimísseis. O míssil pode realizar trajetórias orbitais fracionadas, contornando a Terra pelo Polo Sul para atingir os Estados Unidos por direções não monitoradas pelos alertas do norte do continente americano. Além disso, possui uma fase de propulsão inicial curta, o que reduz o tempo de detecção por satélites infravermelhos, e utiliza iscas para confundir interceptadores. Em 2019, Vladimir Putin afirmou que o armamento é capaz de voos suborbitais de até 35.000 quilômetros.
O desenvolvimento do Sarmat foi marcado por instabilidades. Embora a meta operacional fosse 2020, o primeiro lançamento bem-sucedido de um silo ocorreu apenas em 20 de abril de 2022. Posteriormente, houve registros de falhas: em fevereiro de 2023, os Estados Unidos apontaram um teste malsucedido; em setembro de 2024, imagens de satélite da Planet Labs e da Maxar revelaram um incêndio e a formação de um cráter de 60 metros em um silo em Plesetsk; e, em novembro de 2025, vídeos indicaram a queda de um míssil próximo à base de Dombarovsky.
Apesar dessas intercorrências e de anúncios contraditórios, como a declaração de Yuri Borisov, diretor-geral da Roscosmos, em setembro de 2023, de que o sistema já estaria operacional, a Rússia mantém o cronograma de implantação. Enquanto isso, os Estados Unidos buscam substituir o Minuteman III pelo LGM-35A Sentinel, programa que enfrenta atrasos e aumento de custos em sua infraestrutura, além de incertezas sobre a quantidade de ogivas que o novo modelo carregará diante da inexistência de tratados de controle.