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Rússia recruta estudantes para operar drones com promessas de altos salários e benefícios acadêmicos

04 de Julho de 2026 às 12:04

A Rússia mobiliza estudantes com menos de 35 anos para operar drones mediante contratos de um ano e remunerações elevadas. O programa visa repor baixas militares, mas registros indicam a morte de ao menos 920 profissionais da área desde fevereiro de 2022

Rússia recruta estudantes para operar drones com promessas de altos salários e benefícios acadêmicos
VK/Kyakhtinsky District

A Rússia intensificou a mobilização de estudantes de universidades, faculdades e escolas técnicas para compor as unidades de drones, apresentando a função como uma alternativa tecnológica, de elite e mais segura do que a infantaria convencional. A estratégia, iniciada no começo deste ano, visa repor as baixas militares no quinto ano do conflito na Ucrânia, focando especialmente em jovens com menos de 35 anos, considerados mais aptos a lidar com novas tecnologias.

O programa oferece contratos especiais de um ano, que incluem o treinamento, com a promessa de remunerações elevadas — chegando a cinco milhões de rublos (cerca de R$ 296 mil) em Moscou —, além de benefícios como vagas em pós-graduações, alojamentos facilitados e bolsas estaduais. No entanto, a realidade operacional diverge das promessas: operadores de drones tornaram-se alvos prioritários no campo de batalha. Análises de fontes públicas indicam que ao menos 920 desses profissionais morreram desde fevereiro de 2022, volume de perdas que já se equipara ao de unidades de artilharia.

A eficácia do recrutamento é impulsionada por pressões institucionais. Evidências apontam atividades de mobilização em centenas de instituições de ensino, com foco em alunos com dificuldades acadêmicas ou que pretendiam interromper os estudos. Há relatos de diretores que rotularam estudantes recusantes como covardes e menções a cotas de recrutamento impostas a universidades, embora algumas instituições neguem tais práticas. Juridicamente, a promessa de serviço por apenas 12 meses é questionável, pois decretos de mobilização parcial tendem a prorrogar os contratos militares indefinidamente.

Casos recentes ilustram a vulnerabilidade desses jovens. Valery Averin, de 23 anos, estudante de construção na Buriácia, morreu em 8 de abril em um ataque de morteiro perto de Luhansk, após ter sido enviado para a linha de frente mesmo com treinamento em drones. Vladislav Gorbunov, de 18 anos, morreu em 6 de abril após passar por unidades de assalto e de drones. Já Rakhim Abdullin, também de 18 anos, faleceu em 13 de março após ingressar no exército em janeiro, buscando a segurança prometida pela operação de sistemas não tripulados.

Essas mortes integram um cenário de perdas massivas. A análise de registros públicos e memoriais confirmou a morte de 230.407 militares russos, mas estimativas de inteligência do Reino Unido e análises de dados abertos sugerem que o número real de óbitos possa variar entre 417 mil e 500 mil. Do lado ucraniano, as baixas também são severas: o governo reportou 55 mil mortes em fevereiro de 2026, enquanto estimativas de inteligência holandesa e sites anônimos sugerem números significativamente maiores, podendo chegar a 500 mil entre mortos, feridos e desaparecidos.

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