Sánchez lidera disputa pela presidência do Peru com diferença mínima de votos sobre Keiko Fujimori
Roberto Sánchez lidera a disputa pela presidência do Peru com 50,057% dos votos contra 49,943% de Keiko Fujimori. Com 95,9% das urnas apuradas, a diferença é de aproximadamente 20 mil votos. O resultado final aguarda a oficialização do Escritório Nacional de Processos Eleitorais
A disputa pela presidência do Peru segue indefinida após o segundo turno das eleições, realizado no domingo (7), com uma diferença mínima entre a candidata conservadora Keiko Fujimori e o deputado de esquerda Roberto Sánchez. Com 95,9% das urnas apuradas, Sánchez lidera com 50,057% dos votos contra 49,943% de Fujimori, uma margem aproximada de 20 mil votos.
Fujimori, que liderou a apuração inicial e obteve 17,2% dos votos válidos no primeiro turno, mantém a expectativa de vitória. A candidata aposta que a contagem dos votos no exterior e a abertura de urnas na capital possam reverter o cenário, já que Sánchez possui maior força nos redutos rurais, cujos dados costumam entrar por último no sistema. A candidata direitista defende que a situação atual configura um empate técnico e aguarda a oficialização dos resultados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), desconsiderando projeções de institutos de pesquisa.
A virada de Sánchez ocorreu na tarde de segunda-feira (8), às 14h58 (horário de Brasília), após horas de liderança de Fujimori. O pleito, que contou com um recorde de 35 candidatos na primeira fase — onde Sánchez obteve 12% dos votos —, transcorreu sem incidentes graves no fechamento das urnas, contrastando com as falhas técnicas e denúncias de fraude do turno anterior.
Este processo eleitoral ocorre em um cenário de profunda fragilidade institucional. O Peru teve nove presidentes em dez anos, reflexo de um sistema que permite a derrubada de mandatários por "incapacidade moral ou física permanente", decisão tomada exclusivamente por parlamentares. Essa facilidade de destituição, muitas vezes motivada por divergências legislativas, contribuiu para que a confiança do governo e do Congresso seja nula ou baixíssima para 90% da população, segundo dados do Latinobarómetro.
A crise é agravada pela volatilidade dos partidos políticos, descritos como pouco institucionalizados e sem raízes sociais, o que gera descrença no sistema democrático. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, lidera a corrente fujimorista desde 2008 com a fundação do partido Fuerza Popular, tentando sem sucesso acessar o Poder Executivo.
Como tentativa de estabilização, as eleições deste ano restabeleceram o sistema legislativo bicameral, com a volta do Senado (60 cadeiras) ao lado da Câmara dos Deputados (130 cadeiras). A medida altera a dinâmica de deposição presidencial, que agora exigirá a aprovação de ambas as Casas, cabendo ao Senado a palavra final. O sistema unicameral anterior havia sido implementado após o autogolpe de Alberto Fujimori em 1992, quando o Congresso foi fechado e a Constituição foi alterada.