Sánchez lidera disputa presidencial no Peru com pequena vantagem sobre Keiko Fujimori
Roberto Sánchez lidera a disputa presidencial no Peru com 50,107% dos votos, seguido por Keiko Fujimori com 49,893%. Os dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais referem-se à apuração de 95,389% das urnas nesta terça-feira
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A disputa presidencial no Peru segue indefinida nesta terça-feira (9), com a apuração de 95,389% das urnas registrando um equilíbrio rigoroso entre Roberto Sánchez, candidato de esquerda, e Keiko Fujimori, representante da direita. De acordo com a atualização do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) feita às 3h28, no horário de Brasília, Sánchez lidera a corrida com 50,107% dos votos, enquanto Fujimori soma 49,893%.
A virada de Sánchez ocorreu às 14h58 de segunda-feira (8), após a candidata conservadora ter liderado a contagem por diversas horas. Embora as pesquisas de boca de urna apontassem Fujimori como favorita, a tendência de crescimento do deputado de esquerda era esperada devido à sua força nas zonas rurais, cujos votos são os últimos a serem contabilizados. No primeiro turno, que reuniu um recorde de 35 candidatos, Keiko Fujimori havia ficado em primeiro lugar com 17,2% dos votos válidos, enquanto Sánchez obteve 12%.
As seções eleitorais foram encerradas no domingo (7), às 17h locais, em uma jornada sem incidentes significativos, contrastando com o primeiro turno, que foi marcado por denúncias de fraude e falhas técnicas.
O pleito ocorre em um cenário de profunda fragilidade institucional, evidenciado pelo fato de o Peru ter tido nove presidentes em dez anos, apesar de os mandatos serem de cinco anos. Essa instabilidade é alimentada pelo artigo 113 da Constituição, que permite ao Congresso derrubar um presidente por "incapacidade moral ou física permanente", um diagnóstico avaliado pelos parlamentares que pode resultar na destituição de um governado em menos de 24 horas.
Essa dinâmica gerou uma desconfiança crônica da população. Dados do Latinobarómetro indicam que 90% dos peruanos possuem pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso, e apenas 10% declaram-se satisfeitos com a democracia. O sistema partidário também é visto como fragilizado, com legendas pouco institucionalizadas que surgem e desaparecem rapidamente, sem raízes sociais ou fidelidade dos candidatos.
Nesse contexto, a coalizão fujimorista, liderada por Keiko desde 2008 com a fundação do partido Fuerza Popular, manteve maioria absoluta no Congresso e articulou poder no Legislativo e no Judiciário, embora a candidata, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ainda não tenha alcançado o Poder Executivo.
Como tentativa de mitigar a instabilidade, as eleições deste ano restabeleceram o sistema legislativo bicameral, com a volta do Senado (60 cadeiras) ao lado da Câmara dos Deputados (130 cadeiras). A medida altera o processo de destituição presidencial, que agora exige aprovação em ambas as Casas, cabendo ao Senado a decisão final. O sistema unicameral havia sido imposto em 1992, após o "autogolpe" de Alberto Fujimori, que fechou o Congresso e promulgou uma nova Constituição no ano seguinte.