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Senado dos Estados Unidos barra renovação de lei que autoriza espionagem de cidadãos no exterior

05 de Junho de 2026 às 15:21

O Senado dos Estados Unidos barrou a renovação da Seção 702 da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira, que expira em 12 de junho. A norma permitia a interceptação de comunicações de alvos estrangeiros fora do país. Operações de segurança nacional podem continuar mediante autorização judicial

Senado dos Estados Unidos barra renovação de lei que autoriza espionagem de cidadãos no exterior
AFP

O Senado dos Estados Unidos barrou, nesta sexta-feira (5), a renovação da legislação que autoriza os serviços de inteligência a espionar cidadãos em território estrangeiro. A medida, que depende de uma articulação entre democratas e parte dos republicanos — detentores da maioria na Câmara —, interrompe a validade da Seção 702 da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (FISA), prevista para expirar em 12 de junho.

O dispositivo legal em questão permite que agências americanas interceptem comunicações de alvos estrangeiros fora dos Estados Unidos, inclusive quando há interação com pessoas residentes no país. Com o bloqueio da renovação, as negociações bipartidárias que duraram meses e que visavam estender a vigência da lei por três anos foram anuladas. Apesar do prazo de encerramento, operações classificadas como vitais para a segurança nacional podem ser mantidas, desde que haja autorização judicial.

O impasse político foi intensificado pela nomeação de Bill Pulte como diretor interino de Inteligência Nacional. Pulte, que até a última terça-feira chefiava a Agência Federal de Financiamento da Habitação, não possui histórico profissional em inteligência ou segurança nacional, sendo identificado como um aliado próximo de Donald Trump. A escolha gerou forte reação dos democratas, que associam Pulte a estratégias de retaliação do presidente contra opositores políticos.

A controvérsia sobre a Seção 702 divide a esquerda e a direita nos Estados Unidos. Organizações de direitos civis alertam para a expansão descontrolada da espionagem contra cidadãos. Paralelamente, o FBI utilizou esses poderes para monitorar integrantes da campanha de Trump em 2016. Embora o presidente tenha manifestado hostilidade ao programa anteriormente, ele agora defende a necessidade da ferramenta para lidar com conflitos, a exemplo da guerra no Irã.

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