Senadora paraguaia ataca Mbappé com ofensas racistas após eliminação da seleção em Copa do Mundo
A França eliminou o Paraguai nas quartas de final da Copa do Mundo com um gol de Kylian Mbappé. Após a partida, a senadora paraguaia Celeste Amarilla publicou ofensas racistas contra o jogador, que rebateu as declarações. A parlamentar agora exige desculpas do atleta, alegando violência de gênero
A eliminação do Paraguai diante da França, ocorrida no último sábado (5), desencadeou um conflito que extrapolou o campo e resultou em graves acusações de racismo e xenofobia. O confronto, válido pelas quartas de final da Copa do Mundo, foi decidido por um gol de pênalti de Kylian Mbappé, que garantiu a vaga francesa na fase seguinte.
A tensão começou durante a partida, marcada por forte contato físico, e persistiu após o apito final. Mbappé, capitão da França, trocou provocações com os adversários e ignorou a tentativa de cumprimento do goleiro paraguaio Orlando Gill, cena que viralizou e foi interpretada por parte da imprensa do Paraguai como um gesto de desrespeito. O atacante francês ainda afirmou que esperava um jogo truncado e que sua equipe sabia atuar nesse estilo de futebol, declarações que repercutiram negativamente no país sul-americano.
O cenário escalou para a esfera política quando a senadora paraguaia Celeste Amarilla, eleita pelo Partido Liberal Radical Autêntico, utilizou a rede social X para atacar Mbappé. A parlamentar, conhecida por declarações polêmicas desde que assumiu a deputação em 2017, publicou insultos sobre a aparência e a origem do jogador, chamando-o de "camaronês colonizado" e afirmando que a coisa mais instruída que ele teria ouvido foram chimpanzés.
As ofensas geraram repúdio imediato. O governo do Paraguai se distanciou das falas da senadora, e o presidente da Fifa condenou inequivocamente os comentários. Na França, a ministra dos Esportes classificou as publicações como abjetas, enquanto a Federação Francesa de Futebol anunciou a intenção de acionar o Ministério Público. A comissão técnica francesa também definiu o ataque como vergonhoso e escandaloso.
Mbappé, nascido em Paris e filho de pai camaronês e mãe franco-argelina, rebateu a senadora na segunda-feira (6). O atleta descreveu a parlamentar como uma mulher desprezível e indigna do cargo, afirmando que ela projetava a pior imagem possível do Paraguai e que seu comportamento ofuscava a campanha da seleção sul-americana.
Nesta terça-feira (7), a discussão ganhou novo capítulo. Celeste Amarilla exigiu um pedido de desculpas do jogador, alegando ter sido vítima de violência de gênero após a resposta pública de Mbappé. A senadora reiterou que se sentiu ofendida por falas do atleta sobre "colocar a mão na lama" para vencer e ameaçou processá-lo judicialmente caso não haja retratação.