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Senadores democratas bloqueiam projeto de US$ 1 trilhão para a defesa dos Estados Unidos

14 de Julho de 2026 às 18:21

Senadores democratas rejeitaram a Lei de Autorização da Defesa Nacional, que previa gastos de US$ 1 trilhão. A proposta foi barrada com 46 votos contrários e 50 favoráveis. O bloqueio ocorre em meio ao conflito contra o Irã e divergências sobre o orçamento do Pentágono

Senadores democratas bloqueiam projeto de US$ 1 trilhão para a defesa dos Estados Unidos
Kent Nishimura / Reuters

Senadores democratas bloquearam, nesta terça-feira (14), a Lei de Autorização da Defesa Nacional (NDAA), projeto que previa gastos anuais de US$ 1 trilhão (R$ 5,15 trilhões) para a defesa dos Estados Unidos. A proposta, que contemplava reajustes salariais para militares e a ampliação do orçamento do Pentágono, foi rejeitada com 46 votos contrários e 50 favoráveis, não atingindo a marca necessária para a aprovação.

O impasse ocorre em um cenário de forte oposição ao conflito contra o Irã, iniciado pelo governo de Donald Trump e que já dura cinco meses. A votação aconteceu logo após a Casa Branca notificar o Congresso sobre a retomada de bombardeios contra o território iraniano, rompendo um cessar-fogo anterior entre Estados Unidos, Israel e Irã. O conflito tem gerado instabilidade global, especialmente na oscilação dos preços de combustíveis.

Impasse orçamentário e militar

A resistência ao projeto não se limita apenas à condução da guerra. Há críticas severas ao plano da Casa Branca de elevar os gastos do Pentágono para US$ 1,5 trilhão em 2027, um salto considerável em relação aos US$ 900 bilhões investidos no ano anterior. O governo justifica a necessidade de modernização das Forças Armadas, enquanto o secretário de Defesa, Pete Hegseth — que renomeou a pasta para "Departamento da Guerra" —, busca novos recursos junto a deputados republicanos.

Além da NDAA, a Casa Branca solicitou US$ 350 bilhões via projeto de orçamento separado, mas a liderança republicana na Câmara sinaliza a redução desse valor para US$ 87 bilhões, montante pedido anteriormente como verba emergencial para a guerra.

Divergências políticas e fiscais

Mesmo na base republicana, existe preocupação com a expansão dos gastos públicos. Parlamentares questionam a aplicação de US$ 150 bilhões destinados ao Pentágono no ano passado através da lei de cortes de impostos, alegando falta de prestação de contas sobre a utilização desses valores.

Do lado democrata, a posição é de bloqueio total enquanto não houver clareza sobre o fim do conflito. O líder da bancada no Senado, Chuck Schumer, argumentou que o Congresso não deve financiar operações militares que a Presidência não saiba como encerrar. No mesmo sentido, a senadora Tammy Duckworth condicionou seu apoio à inclusão de emendas que obriguem a interrupção das operações militares, classificando o aporte de recursos em operações sem controle como uma "receita para uma guerra sem fim".

Fiscalização e manobras regimentais

O Senado busca ainda impor sanções a Pete Hegseth, incluindo a suspensão de verbas para viagens oficiais, caso o secretário não entregue relatórios sobre gastos internos e detalhes de um ataque a uma escola no Irã ocorrido no início do conflito.

Apesar da rejeição, o líder da maioria republicana, John Thune, alterou seu voto por uma questão regimental. A manobra técnica permite que a proposta de orçamento de defesa retorne à pauta de votações em data futura. Anteriormente, o Congresso já havia votado mais de dez propostas para limitar os poderes de Trump e interromper a guerra, porém nenhuma foi aprovada devido ao apoio da maioria republicana ao presidente.

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