Sete pessoas e duas empresas são acusadas de homicídio culposo após incêndio em Hong Kong
Sete pessoas e duas empresas foram acusadas nesta quarta-feira (10), em Hong Kong, por crimes como homicídio culposo e lavagem de dinheiro. As acusações referem-se a um incêndio no complexo Wang Fuk Court, ocorrido em 26 de novembro de 2025, que causou 168 mortes
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/x/2/BBLfmvS7CKzNldkZ4P7w/globo-canal-5-16-frame-29978.jpeg)
Sete indivíduos e duas empresas, incluindo a empreiteira principal e a firma de consultoria de um projeto de renovação, foram acusados nesta quarta-feira (10) por crimes que abrangem homicídio culposo e conspiração em Hong Kong. As acusações, movidas pela polícia e pela Comissão Independente Contra a Corrupção, somam 25 delitos, entre os quais lavagem de dinheiro, evasão fiscal e tentativa de obstrução da justiça. Os processos foram encaminhados para audiência judicial na tarde do mesmo dia.
As medidas ocorrem após o incêndio registrado em 26 de novembro de 2025, no complexo residencial Wang Fuk Court, localizado no distrito suburbano de Tai Po. O desastre, que atingiu sete prédios e resultou na morte de 168 pessoas, é considerado o mais letal da cidade em décadas. Na ocasião, o Departamento de Bombeiros foi acionado às 14h51 (horário local), mobilizando centenas de agentes e elevando o alerta para o nível 5 — o patamar máximo da escala — com o reforço de outros mil policiais.
A investigação aponta que as chamas se propagaram rapidamente através de andaimes de bambu e telas de construção verdes utilizadas nas obras de reforma do local. O complexo é composto por oito torres com mais de 30 andares cada, totalizando cerca de dois mil apartamentos e uma população de 4,6 mil moradores, conforme dados do censo governamental de 2021. De acordo com a apuração conduzida por um comitê independente, falhas humanas causaram a inoperância de quase todos os sistemas de segurança contra incêndio durante a tragédia.
Este caso integra um processo maior de apurações iniciado em março, quando a polícia prendeu 38 pessoas por fraude e homicídio culposo, das quais nove foram formalmente acusadas. Paralelamente, a agência anticorrupção efetuou a prisão de 23 suspeitos de suborno e conspiração para fraude.
O episódio revive a memória de desastres semelhantes em Hong Kong, como o incêndio de 1996, que matou 41 pessoas devido a serviços de soldagem em reformas, resultando na alteração das normas de segurança para edifícios altos. Atualmente, a cidade busca reduzir o uso de andaimes de bambu, técnica tradicional da arquitetura chinesa, após o registro de 22 mortes de trabalhadores entre 2019 e 2024 e a ocorrência de pelo menos três incêndios envolvendo esse material apenas no corrente ano.