Startup norueguesa transforma plástico reciclado em componentes para moradias populares na África Subsaariana
A startup norueguesa Othalo criou um sistema de construção modular que transforma plástico reciclado em componentes para moradias populares, escolas e abrigos. O projeto foca em países da África Subsaariana e permite a edificação de prédios com até quatro pavimentos. Uma residência de 60 metros quadrados demanda aproximadamente 8 toneladas de material reciclado

A startup norueguesa Othalo desenvolveu um sistema de construção modular que converte plástico reciclado em componentes para moradias populares, com foco inicial em países da África Subsaariana. A escolha da região deve-se ao crescimento urbano acelerado, ao déficit habitacional e à expansão de assentamentos informais, somados à dificuldade dessas cidades em estruturar a coleta e o tratamento de resíduos sólidos.
O método consiste em coletar, triturar e processar resíduos plásticos para fabricar elementos industrializados destinados a pisos, paredes e coberturas. Essa abordagem substitui a dependência exclusiva de materiais convencionais da construção civil, visando reduzir custos e agilizar a montagem das estruturas. De acordo com a UN-Habitat, programa das Nações Unidas para cidades e assentamentos humanos, uma residência padrão de 60 metros quadrados utiliza cerca de 8 toneladas de plástico reciclado. A tecnologia permite, ainda, a construção de edifícios de até quatro pavimentos, o que viabiliza a aplicação do sistema em áreas urbanas densas.
A iniciativa, apresentada pela UN-Habitat em outubro de 2020 durante o Dia Mundial do Habitat, busca aliar a oferta de moradias sustentáveis e de baixo custo à gestão de resíduos descartados em ruas, rios e aterros. Além de casas, a Othalo indica que a tecnologia pode ser aplicada em abrigos e escolas. O projeto, que contou com o apoio de pesquisadores noruegueses e a colaboração do arquiteto Julien De Smedt, baseia-se nos princípios da economia circular, transformando o plástico — antes destinado a produtos de curta duração — em estruturas permanentes e gerando empregos locais nas etapas de triagem, transporte e fabricação.
Para que a produção saia do campo demonstrativo e alcance escala comercial, a operação exige a organização de toda a cadeia logística e o cumprimento de rigorosos padrões técnicos. A viabilidade do sistema depende de critérios de resistência estrutural, segurança contra incêndios, adaptação climática e aprovação regulatória nos países receptores.
Embora a proposta represente uma alternativa em regiões onde materiais tradicionais são escassos ou caros, a execução depende de políticas públicas de saneamento, planejamento urbano e gestão de resíduos. Na fase inicial, a produção de componentes previu unidades demonstrativas em cidades como Dakar, no Senegal, Yaoundé, em Camarões, e Nairobi, no Quênia.