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StubHub enfrenta ação coletiva após cancelamentos de ingressos para a Copa do Mundo de 2026

02 de Julho de 2026 às 12:07

Cancelamentos de ingressos em plataformas de revenda, como o StubHub, causaram prejuízos financeiros a torcedores da Copa do Mundo de 2026. A situação resultou em uma ação coletiva contra a empresa, que atribui as falhas ao sistema da Fifa. A Fifa nega a responsabilidade e recomenda a compra apenas via canal oficial

StubHub enfrenta ação coletiva após cancelamentos de ingressos para a Copa do Mundo de 2026
Sergio Enrique Alvarado Montalvo

A venda de ingressos para a Copa do Mundo de 2026 enfrenta uma crise sistêmica marcada por cancelamentos repentinos em plataformas de revenda, deixando torcedores impossibilitados de acessar os estádios mesmo após investirem milhares de dólares em viagens e hospedagens. O problema central reside na prática de "venda especulativa", na qual revendedores oferecem bilhetes que ainda não possuem, esperando comprá-los a preços baixos para lucrar com a alta posterior. Quando os valores sobem excessivamente, esses vendedores cancelam as transações iniciais, resultando em reembolsos que não cobrem os prejuízos logísticos dos compradores.

Casos emblemáticos ilustram a gravidade da situação. Sergio Enrique Alvarado Montalvo, do México, gastou cerca de US$ 1,7 mil em ingressos via StubHub e aproximadamente US$ 6 mil com passagens e hotéis para levar os pais a Dallas para o jogo entre Argentina e Áustria. A plataforma informou a impossibilidade de entrega dos bilhetes apenas um dia antes da viagem e negou a oferta de ingressos equivalentes devido à disparada nos preços. De forma semelhante, Eben Pingree, de Boston, viu a surpresa para o filho de 11 anos ser frustrada quando os ingressos de US$ 2,8 mil para a partida entre Escócia e Haiti não foram entregues no dia do evento.

A instabilidade do setor resultou em medidas judiciais. Julie Reeker Moghal e Reuben Renteria protocolaram uma ação coletiva contra o StubHub na terça-feira (30/6), alegando prejuízos financeiros após pagarem ao menos US$ 1,9 mil cada por ingressos nunca entregues. O processo descreve a situação como um ponto crítico na proteção ao consumidor.

O impasse gerou um conflito de narrativas entre a organizadora do evento e a plataforma de revenda. O StubHub atribui as falhas a problemas de desempenho no aplicativo de ingressos da Fifa, essencial para a transferência de bilhetes. Em contrapartida, a Fifa nega qualquer responsabilidade, afirmando que seu sistema opera de forma confiável — com mais de 5 milhões de espectadores atendidos até o momento — e reforça que apenas a plataforma oficial garante a validade das vendas.

Críticos do setor, como Scott Friedman, cofundador da Ticket Talk Network, atribuem a culpa integralmente ao StubHub, embora classifiquem o software de vendas da Fifa como obsoleto. Friedman relatou ter reunido mais de 600 reclamações de consumidores durante a Copa. Além dos compradores, revendedores também relataram perdas; um usuário de Austin perdeu US$ 2,6 mil após o StubHub cancelar uma venda legítima de US$ 1,2 mil, reter o pagamento e aplicar uma multa de US$ 1,4 mil.

A dificuldade de obter reparações é acentuada por processos de contestação complexos. O advogado Bradford Clements, que representa clientes com perdas superiores a US$ 2,4 milhões em diversas ações contra o StubHub, afirma que a empresa utiliza táticas de intimidação e procrastinação para desencorajar os torcedores.

Embora o StubHub alegue proibir a venda especulativa e ofereça a garantia FanProtect — que prevê o reembolso do valor do ingresso em caso de não entrega —, a medida é insuficiente para compensar os gastos não reembolsáveis de viagem. Com a Copa do Mundo avançando para as fases decisivas, há alertas de que o volume de cancelamentos pode aumentar, ampliando o número de famílias excluídas dos estádios.

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