Surto de hantavírus em navio de cruzeiro mobiliza a Organização Mundial da Saúde e autoridades sanitárias
Surto de hantavírus no navio MV Hondius resultou em três mortes e nove casos registrados, mobilizando a OMS e autoridades sanitárias. Passageiros de diversas nacionalidades foram desembarcados em Tenerife e encaminhados para isolamento em seus países. A embarcação segue para desinfecção em Roterdã
Um surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius mobiliza autoridades sanitárias de diversos países e a Organização Mundial da Saúde (OMS). A embarcação, que partiu de Ushuaia, na Argentina, no início de abril com 150 passageiros de mais de 20 nacionalidades, registrou três mortes, sendo duas delas confirmadas como causadas pelo vírus. O primeiro óbito ocorreu em 11 de abril, próximo ao arquipélago de Tristão da Cunha.
Atualmente, a OMS contabiliza nove casos: sete confirmados e dois suspeitos. Entre os infectados está uma cidadã francesa que, após o navio atracar nas Ilhas Canárias, foi transferida para a França. Segundo o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, a paciente permanece em estado estável em uma unidade de terapia intensiva, após ter apresentado uma breve piora. O caso gerou o monitoramento de outras 22 pessoas que tiveram contato com ela em território francês.
Na Espanha, o Ministério da Saúde informou que um dos 14 cidadãos em quarentena em um hospital militar em Madri testou positivo para o vírus. O paciente não apresenta sintomas e aguarda a realização de novos exames para a confirmação definitiva do diagnóstico.
A operação de desembarque dos passageiros foi finalizada nesta segunda-feira (11), em Tenerife, nas Ilhas Canárias, com supervisão direta do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom. Vinte e dois britânicos repatriados foram encaminhados para isolamento em um hospital próximo a Liverpool. Outros oito holandeses chegaram ao Aeroporto de Eindhoven logo após a meia-noite, enquanto passageiros de outras nacionalidades seguem para seus países de origem. A OMS recomendou que todos os repatriados cumpram 42 dias de isolamento.
O MV Hondius segue agora para Roterdã, na Holanda, para a desinfecção da embarcação. A chegada está prevista para 17 de maio, com uma tripulação reduzida de 25 pessoas, acompanhadas por um médico e uma enfermeira.
Na cidade de Nijmegen, o hospital Radboudumc, que recebeu um passageiro infectado em 7 de maio, colocou 12 funcionários em quarentena preventiva por seis semanas. A medida foi tomada após a manipulação de amostras de sangue e urina sem a aplicação de protocolos rigorosos e atualizados. Bertine Lahuis, presidente do conselho executivo da instituição, afirmou que o hospital investigará o ocorrido para evitar novas falhas. A administração do hospital ressaltou que o risco de infecção é baixo e que as atividades de atendimento seguem normalmente.
Sobre a propagação da doença, a OMS esclarece que a transmissão entre seres humanos é rara e ocorre apenas em situações de contato muito próximo.