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Teerã organiza cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei com previsão de recorde de público na capital

04 de Julho de 2026 às 06:06

Teerã inicia neste sábado as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, morto aos 86 anos em ataques de Estados Unidos e Israel. A programação inclui três dias de luto oficial na capital e cortejos por cidades do Iraque, com sepultamento em Mashhad no dia 9 de julho

Teerã se prepara para realizar, a partir deste sábado (4), as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, que governou o Irã por 37 anos. O prefeito interino da capital, Alireza Zakai, afirmou que o evento deve representar a maior reunião já registrada na história da cidade. A programação pública, que inclui três dias de luto oficial, causará a paralisação de empresas e atividades na capital para receber visitantes de todo o país.

O funeral havia sido planejado para o início de março, mas foi adiado em razão do conflito no Oriente Médio. A definição das datas ocorreu somente após a implementação de um cessar-fogo frágil entre Teerã e Washington. O líder supremo morreu aos 86 anos, vítima de ataques com mísseis realizados por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra seu complexo de trabalho e residência. A ofensiva deu início à guerra na região e resultou na morte de familiares de Khamenei, entre eles dois netos e uma filha. Imagens de satélite confirmam a destruição do local, embora não haja clareza sobre a recuperação dos corpos.

O cronograma de despedida se estende por seis dias, com o objetivo de promover a unidade nacional entre diferentes grupos religiosos, sociais e políticos, conforme detalhado por Ali-Akbar Purdjamschidian, chefe do comitê organizador. No dia 8 de julho, o cortejo fúnebre passará por cidades sagradas do Iraque, como Karbala e Najaf, em um movimento para projetar a influência regional iraniana. O sepultamento ocorrerá em 9 de julho em Mashhad, cidade natal do aiatolá, no nordeste do país.

A trajetória de Khamenei foi marcada por uma gestão centralizadora e intervenções em quase todas as áreas do governo, diferenciando-se do governo de Ruhollah Khomeini após a Revolução de 1979. Esse modelo de microgestão, somado à má administração econômica, corrupção e sanções nucleares, elevou as tensões externas e o descontentamento interno. A recusa em ceder a reformistas ou críticos do regime aprofundou o abismo entre o sistema político e a sociedade, resultando em ondas de protestos reprimidas com violência, como o movimento verde em 2009, as manifestações "Mulher, Vida, Liberdade" em 2022 e os atos nacionais entre o fim de 2025 e o início de 2026.

O cenário de guerra agravou a crise social, especialmente entre os jovens, devido à perda de milhares de empregos após a destruição de polos siderúrgicos e petroquímicos. Para parte da população, o conflito reforçou a percepção de isolamento e a impossibilidade de contar com apoio externo.

No campo diplomático, a política externa de Khamenei mantém continuidade, evidenciada pela prioridade dada à frente do Líbano nas negociações com os Estados Unidos. O Hezbollah, especificamente por meio da Força Quds, estreitou a dependência política e militar com Teerã. Atualmente, o Irã discute um acordo de 14 pontos com Washington, que inclui a exigência de não interferência dos americanos em assuntos internos iranianos — ponto inédito em negociações anteriores, como no acordo nuclear de 2015 ou após a Guerra Irã-Iraque. Apesar do potencial avanço, persistem divisões internas na liderança iraniana, especialmente na Guarda Revolucionária, sobre a viabilidade das negociações.

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