Tensão entre Estados Unidos e Irã reduz fluxo de navios no Estreito de Ormuz
Tensão entre Estados Unidos e Irã reduziu o fluxo de navios no Estreito de Ormuz, com registro de 10 embarcações na quinta-feira. O declínio segue ataques iranianos a navios comerciais e a resposta militar norte-americana contra 90 alvos na costa iraniana
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A escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã provocou uma redução no fluxo de embarcações no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transita aproximadamente 20% do comércio global de petróleo. O declínio no tráfego diário foi evidenciado por dados de monitoramento da Kpler, que registraram apenas 10 navios-tanque e petroleiros transitando na quinta-feira, número inferior às 14 embarcações de quarta-feira e às 22 de segunda-feira, atingindo o menor patamar desde 28 de junho.
O cenário de instabilidade é resultado de ataques iranianos contra navios comerciais e a subsequente resposta militar norte-americana. Na noite de quarta-feira (8), o Comando Central dos EUA atingiu cerca de 90 alvos estratégicos na costa iraniana, incluindo sistemas de defesa aérea, infraestrutura de logística militar, ativos de vigilância costeira, além de locais de armazenamento de drones e mísseis. A operação visou limitar a capacidade do Irã de realizar novas ofensivas contra navios na região.
Apesar da queda no volume geral, o rastreamento marítimo indicou que ao menos 22 navios ligados ao Japão deixaram o Golfo a partir de terça-feira (7). Simultaneamente, cinco navios-tanque de GNL sem carga ingressaram no estreito. Entre eles, o GasLog Shanghai, da empresa grega GasLog, e quatro embarcações da QatarEnergy: Al Samriya, Al Gattara, Al Dafna e Al Rayyan. O GasLog Shanghai e o Al Rayyan entraram na via durante a madrugada, após serem avistados fora da rota em 9 de julho. Já o Al Samriya e o Al Gattara haviam sido identificados entre 18 e 19 de junho, e o Al Dafna em 29 de junho, todos anteriormente localizados na costa oeste da Índia. No fluxo recente, o superpetroleiro Nissos Kea entrou no estreito na quinta-feira, enquanto o Lila Vadinar deixou a passagem.
A fiscalização do tráfego tornou-se mais complexa devido ao desligamento frequente dos sistemas públicos de rastreamento AIS por parte das embarcações. O controle da costa norte do estreito, além de ilhas e postos militares, permite que o Irã monitore a movimentação na região, utilizando a posição geográfica como ferramenta de pressão política e militar. O governo iraniano defende a soberania sobre a rota marítima e já chegou a fechar a passagem para obter vantagens em negociações. Questionadas, a GasLog e a QatarEnergy não emitiram comentários imediatos.