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Termos linguísticos revelam se a aposentadoria é vista como recuo ou como liberdade culturalmente

28 de Junho de 2026 às 06:04

Estudos de Yoshiko Matsumoto indicam que a terminologia para aposentadoria varia entre a ideia de recuo e a de liberdade. Na Espanha, 66% dos aposentados associam o período à liberdade, impulsionados por uma taxa de reposição previdenciária média de 83% do último salário

Termos linguísticos revelam se a aposentadoria é vista como recuo ou como liberdade culturalmente
Aging without limits

A percepção global sobre a cessação da atividade profissional na velhice reflete as particularidades culturais e linguísticas de cada sociedade. De acordo com estudos da linguista Yoshiko Matsumoto, analisados pela jornalista Tamara Straus, a terminologia utilizada para descrever a aposentadoria revela se o ato de deixar o mercado de trabalho é visto como um recuo ou como uma nova etapa de liberdade.

Em diversos idiomas, a nomenclatura sugere um afastamento. No inglês, o termo *retirement* deriva do francês antigo *retirer*, palavra que no século XIV era empregada em contextos militares para descrever a retirada de um exército para posições seguras. Essa raiz linguística associa a aposentadoria ao ato de sair de cena, frequentemente ligando a velhice a uma postura passiva. Tendência semelhante ocorre no chinês, onde o termo *tuìxiū* une os conceitos de recuar e descansar, e no alemão, cujo *Ruhestand* significa literalmente "estado de descanso". Já no italiano, *il pensionamento* foca no subsídio financeiro. Tais definições consolidaram-se com a formalização das pensões pelos governos e a ascensão do Estado, a exemplo da Alemanha, que implementou o primeiro sistema de previdência pública do mundo no século XIX.

Contudo, essa visão de recuo não é universal. Na Espanha, a *jubilación* é amplamente associada a sentimentos positivos. Um levantamento de 2015 realizado pela seguradora Mapfre indicou que 66% dos aposentados espanhóis vinculavam esse período à liberdade, enquanto apenas 12% sentiam incerteza. Dados mais recentes, de uma pesquisa de 2025 do grupo holandês Nationale-Nederlanden, confirmam essa tendência: 66% dos entrevistados na Espanha mantêm perspectivas positivas sobre o futuro e 86% confiam em sua capacidade de enfrentar o processo de envelhecimento.

Essa percepção cultural é sustentada por indicadores econômicos. O sistema de previdência pública espanhol oferece uma das taxas de reposição mais elevadas da União Europeia, pagando, em média, 83% do último salário do trabalhador, o que garante a base material necessária para o otimismo da população.

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