Terremotos na Venezuela deixam 235 mortos e governo decreta estado de emergência no país
Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 causaram 235 mortes e 1.520 feridos na Venezuela na última quarta-feira (24). O governo decretou estado de emergência e suspendeu as aulas. Equipes de resgate enfrentam falta de maquinário pesado para a remoção de escombros
Dois terremotos com magnitudes de 7,2 e 7,5, ocorridos em um intervalo de menos de um minuto na noite da última quarta-feira (24), deixaram 235 mortos e 1.520 feridos na Venezuela. Diante da magnitude do desastre, o governo decretou estado de emergência e suspendeu as aulas, mas a resposta operacional tem sido marcada por graves deficiências estruturais.
Em Caracas, a falta de maquinário pesado para a remoção de escombros forçou equipes de bombeiros, policiais e agentes da Defesa Civil a trabalharem com recursos improvisados. O advogado Ricardo Alurralde, residente da zona leste da capital, relatou que os socorristas utilizaram lanternas de celulares para iluminar as buscas e transportaram destroços manualmente. A situação é descrita como ainda mais crítica em La Guaira, região com maior concentração de destruição, onde moradores tentaram resgatar vizinhos soterrados antes da chegada do socorro oficial.
O evento sísmico foi precedido por um alerta de terremoto enviado ao celular de residentes, como ocorreu com a família de Alurralde, que recebeu a notificação cerca de 40 segundos antes do primeiro tremor. No apartamento do advogado, os danos limitaram-se a vidros quebrados e fissuras nas paredes.
Após os abalos principais, a madrugada foi sucedida por diversas réplicas. Enquanto na zona leste de Caracas foram sentidos entre cinco e seis novos tremores, moradores de Altamira — bairro situado sobre uma falha geológica — registraram entre 20 e 25 ocorrências ao longo da noite. Apesar do pronunciamento oficial do governo, a percepção local é de que a capacidade de resposta estatal é insuficiente para a dimensão dos danos causados.