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Terremotos na Venezuela deixam 3,5 mil mortos e revelam plano de prevenção ignorado desde 2005

07 de Julho de 2026 às 06:08

Terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 no norte da Venezuela causaram 3,5 mil mortes, 16 mil feridos e o desabamento de 190 edifícios em 24 de junho. Equipes de resgate buscam centenas de desaparecidos

Terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o norte da Venezuela em 24 de junho causaram a morte de 3,5 mil pessoas e deixaram 16 mil feridos, resultando no desabamento de 190 edifícios. Enquanto equipes de resgate buscam centenas de desaparecidos, a tragédia trouxe à tona um plano de prevenção elaborado pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e entregue ao governo venezuelano em 2005.

O estudo, solicitado pela Venezuela e iniciado em 2002, propunha 20 projetos para mitigar danos causados por sismos e deslizamentos na região metropolitana de Caracas, dos quais sete eram prioritários. O plano previa o reforço estrutural de aproximadamente 180 mil prédios vulneráveis, a consolidação de pontes, a construção de barragens contra fluxos de lama e pedras, a implementação de sistemas de alerta para a população e a criação de um centro de comando para emergências, além do reassentamento de moradores em áreas de risco.

A execução total das medidas demandaria um investimento de US$ 2,8 bilhões ao longo de 16 anos, sendo que US$ 2,6 bilhões seriam destinados especificamente ao reforço das edificações. O relatório detalhava técnicas de engenharia para aumentar a resistência das construções: para prédios de concreto armado, sugeria-se a instalação de paredes estruturais, reforço de colunas e vigas com chapas de aço, melhorias nas fundações e sistemas de isolamento de base. Para as ocupações informais, os "barrios", a recomendação era de intervenções de menor custo, como vigas de fundação para estabilizar casas em encostas, reforço de paredes e obras de contenção. Todas as sugestões estavam alinhadas à legislação venezuelana vigente desde 2001.

A eficácia do programa era sustentada por simulações. Em um cenário baseado no terremoto de 1812 (magnitude 7,1), a projeção sem as melhorias indicava 32 mil edifícios gravemente danificados, 2.528 mortes e 17,6 mil feridos. Com a adoção do reforço estrutural, o número de prédios atingidos cairia para 5.260 e a mortalidade seria reduzida em quase 90%, baixando para 274 óbitos. Em outra simulação, baseada no tremor de 1967 (magnitude 6,6), a estimativa era de 602 mortos, 4,3 mil feridos e 10 mil edifícios danificados.

Embora não haja clareza sobre a implementação dessas medidas, a precariedade das construções atuais é apontada como fator determinante para o volume de destruição nos sismos de junho. A expansão de programas habitacionais nas últimas décadas, marcada por fiscalização limitada e falta de transparência, somada à crise econômica e à negligência no cumprimento das normas técnicas, comprometeu a capacidade de resposta e a segurança das estruturas no país.

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