Terremotos na Venezuela provocam mais de 4 mil mortes e geram desinformação sobre projeto científico
Dois terremotos no norte da Venezuela, ocorridos em 24 de junho, causaram mais de 4 mil mortes e destruição em Caracas e municípios vizinhos. O desastre motivou a propagação de desinformação nas redes sociais vinculando os sismos ao programa científico HAARP. Especialistas e a Nasa afirmam que o projeto estuda a ionosfera e não possui capacidade de gerar tremores
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Dois terremotos sucessivos atingiram a região norte da Venezuela na noite de 24 de junho, resultando nos sismos mais potentes registrados no país em mais de cem anos. O balanço atualizado nesta sexta-feira (10) confirma mais de 4 mil mortos, com destruição concentrada na capital, Caracas, e em municípios vizinhos.
A tragédia tornou-se alvo de desinformação em redes sociais, especialmente no X, onde publicações com mais de 3 milhões de visualizações associam o desastre ao Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência (HAARP), da Universidade do Alasca Fairbanks. Vídeos que mostram flashes no céu noturno e tons avermelhados em Caracas e La Guaira são utilizados para alegar que a tecnologia do programa teria sido usada para provocar os tremores.
Contudo, o HAARP é um projeto científico voltado ao estudo da ionosfera, camada da atmosfera situada entre 80 e 640 quilômetros de altitude, que faz a transição entre a atmosfera inferior e o vácuo do espaço. De acordo com a Nasa e o professor Micael Cecchini, da USP, a finalidade do programa é mapear essa região eletrificada para viabilizar a transmissão global de ondas de rádio, não possuindo capacidade de gerar sismos.
Sobre as evidências visuais citadas nas postagens, a coloração vermelha intensa observada no entardecer após os terremotos é explicada pelo espalhamento de Rayleigh, fenômeno causado pelo aumento de partículas de poeira na atmosfera. Esse efeito não possui relação com a atividade sísmica nem serve como indicativo de novos tremores. Já os lampejos de luz registrados logo após os sismos podem ser resultado da fricção entre placas tectônicas, que gera a eletrização momentânea do ar e aquece compostos químicos da atmosfera, produzindo luzes coloridas.