Mundo

Tráfego de navios de carga no Estreito de Ormuz atinge maior volume desde início da guerra

23 de Junho de 2026 às 09:18

O tráfego de navios de carga no Estreito de Ormuz registrou 35 embarcações na última terça-feira, o maior volume desde o início da guerra no Oriente Médio. O aumento ocorre após acordos entre Irã e Estados Unidos para assegurar a navegação e reduzir conflitos no Líbano. As nações negociam na Suíça um acordo preliminar de paz e a gestão do programa nuclear iraniano

Tráfego de navios de carga no Estreito de Ormuz atinge maior volume desde início da guerra
Reuters/Stringer

O tráfego de navios de carga no Estreito de Ormuz atingiu a marca de 35 embarcações na última terça-feira (23), o maior volume registrado desde que a guerra no Oriente Médio começou, no final de fevereiro. O dado, fornecido pela plataforma Kpler, surge após a divulgação de um memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos.

A retomada do fluxo ocorre após um período de forte retração. Entre 1º de março e 14 de junho, a média diária de trânsito era inferior a 10 navios. Esse número subiu para 21 a partir de 15 de junho, data seguinte ao anúncio de um acordo, e alcançou 27 embarcações nos cinco dias anteriores ao recorde de terça-feira. Apesar da alta, o movimento atual representa menos de um terço do volume observado em tempos de paz, quando cerca de 120 navios atravessavam diariamente a via, fundamental para o comércio global de hidrocarbonetos.

A estabilidade da passagem marítima foi impactada por instabilidades recentes. Embora o estreito tenha sido reaberto na semana passada devido ao acordo entre Teerã e Washington, o governo iraniano chegou a anunciar o fechamento da via no sábado, como reação a ataques de Israel no Líbano. A situação foi normalizada após novo entendimento entre as duas potências para interromper os confrontos libaneses e assegurar a navegação em Ormuz.

Nesse contexto, o principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que a gestão do estreito sofreu mudanças permanentes em relação ao período pré-guerra. Ghalibaf afirmou que o Irã passará a administrar a via, o que levanta questionamentos sobre a possível implementação de taxas de trânsito para as embarcações.

Paralelamente, Estados Unidos e Irã avançaram nas negociações para encerrar as tensões bilaterais após 18 horas de reuniões na Suíça, com a mediação de Catar e Paquistão. As tratativas visam a implementação de um acordo preliminar de paz, abordando o conflito no Oriente Médio e o programa nuclear iraniano.

Entre os pontos concretos estabelecidos está a criação de um grupo de trabalho para a questão nuclear e de uma célula de desescalada no Líbano, focada em reduzir os embates entre Israel e Hezbollah. As delegações também estenderam o prazo para a busca de um acordo definitivo de paz, agora previsto para ocorrer em até 60 dias.

Apesar de tensões iniciais causadas por ameaças do presidente Donald Trump, a delegação iraniana considerou positivo o formato das reuniões. As equipes de negociação devem permanecer na Suíça durante a próxima semana para consolidar os termos acordados.

Notícias Relacionadas