Três mulheres no Reino Unido descobrem que são meio-irmãs por meio de testes de DNA
Três mulheres no Reino Unido descobriram, via testes de DNA, que são meio-irmãs concebidas pelo mesmo doador de esperma galês. O grupo, composto por Natasha Goldstein-Opasiak, Gemma e Helen Hicks, criou o podcast "Sperm Sisters" para discutir a concepção por gametas
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Três mulheres residentes no Reino Unido — Natasha Goldstein-Opasiak, Gemma e Helen Hicks — descobriram, por meio de testes de DNA, que são meio-irmãs, concebidas a partir do mesmo doador de esperma, natural do País de Gales. O reencontro ocorreu após décadas de desconhecimento sobre suas origens biológicas, evidenciando as lacunas regulatórias do setor de fertilidade britânico no período em que nasceram.
Gemma, de 36 anos, e Helen, de 35, cresceram juntas em Berkshire acreditando que o homem que as criou era o pai biológico. A revelação de que foram concebidas via doação de gametas ocorreu apenas próximo aos 30 anos. Já Natasha, de 36 anos e moradora de Essex, soube da doação aos 21, mas realizou a análise genética aos 31 anos para compreender sua ancestralidade. O contato entre as três foi viabilizado por notificações de parentesco de plataformas de DNA, resultando em um encontro rápido e em uma identificação imediata de comportamentos e opiniões.
As irmãs notaram semelhanças marcantes, especialmente na inclinação para a criatividade: Gemma dedicou-se às artes visuais, Helen à música e Natasha à dança, além de todas terem atuado como docentes. Outro ponto de convergência foi a ligação com o País de Gales. Gemma e Helen já possuíam esse vínculo cultural através do pai socioafetivo, enquanto Natasha frequentou a região na infância. A confirmação de que o doador biológico também era galês consolidou esse sentimento de identidade.
O caso expõe a realidade do que as mulheres chamam de "Velho Oeste" da doação de esperma, período anterior à criação da Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia do Reino Unido, em agosto de 1991. Naquela época, a ausência de diretrizes permitia que pais omitissem a origem biológica dos filhos e que doadores gerassem um número indeterminado de descendentes, sem o limite atual de dez famílias. As irmãs, que chegaram a dividir a mesma residência universitária em Leeds sem saber do parentesco, conseguiram localizar e contatar o pai biológico, que reagiu com receptividade.
Atualmente, a legislação britânica, alterada em 2005, proíbe a doação anônima, permitindo que indivíduos completem 18 anos e acessem a identidade do doador. Desde 1991, mais de 85 mil pessoas nasceram de tratamentos em clínicas licenciadas no país. Em contrapartida, no Brasil, a resolução nº 2.320/2022 do Conselho Federal de Medicina mantém o sigilo da identidade do doador e recomenda que um único doador gere, no máximo, dois nascimentos por milhão de habitantes para evitar o risco de relações entre irmãos biológicos.
Para dar visibilidade às implicações psicológicas e identitárias da concepção por gametas, as três criaram um podcast chamado "Sperm Sisters" (Irmãs de Esperma). Elas alertam que, apesar dos avanços regulatórios, a proliferação de doações informais via redes sociais e aplicativos pode retroceder a segurança do processo, deixando novas gerações vulneráveis ao silêncio sobre suas origens.