Tropas israelenses matam duas pessoas no sul do Líbano durante operação em zona-tampão
Tropas israelenses mataram duas pessoas nesta terça-feira (23) em Nabatieh al-Fawqa, no sul do Líbano. Israel afirmou ter neutralizado terroristas, enquanto o Hezbollah alegou que as vítimas eram civis. O episódio ocorreu durante a vigência de um acordo de paz provisório
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Duas pessoas morreram nesta terça-feira (23) após disparos de tropas israelenses no bairro al-Deir, em Nabatieh al-Fawqa, região sul do Líbano. O ataque ocorreu enquanto um grupo de pessoas estava próximo a uma escavadeira que realizava a limpeza de uma estrada. A Defesa Civil libanesa e a agência estatal NNA confirmaram as fatalidades.
O Exército israelense justificou a ação afirmando ter neutralizado "terroristas armados" que representavam ameaça iminente aos seus soldados, que operavam dentro da zona-tampão estabelecida no sul do país. O Hezbollah, por sua vez, classificou a operação como uma violação do cessar-fogo, alegando que o alvo eram civis e que houve feridos além dos dois óbitos, embora não tenha detalhado possíveis retaliações.
Este episódio marca a primeira operação reivindicada por Israel no Líbano desde domingo e as primeiras mortes causadas por tropas israelenses nos últimos três dias. A trégua vigente faz parte de um acordo de paz provisório firmado na semana passada entre Estados Unidos e Irã, embora o governo de Benjamin Netanyahu demonstre resistência em interromper totalmente os combates com o Hezbollah.
A tensão diplomática é agravada pela posição de Teerã, que financia e apoia o Hezbollah. O governo iraniano alertou que qualquer quebra da trégua será retaliada e poderá prejudicar as negociações para uma paz definitiva. Para tentar estabilizar a região, Estados Unidos e Irã concordaram, em negociações mediadas por Catar e Paquistão na Suíça, com a criação de uma "célula de desescalada" para assegurar o fim dos confrontos.
O conflito, intensificado desde 2 de março, quando o Hezbollah iniciou ataques contra Israel em apoio ao Irã, resultou em mais de 4.100 mortes no Líbano, segundo o Ministério da Saúde local. Esse total inclui 773 mulheres, crianças e profissionais de saúde, sem a distinção de quantos eram combatentes. As hostilidades forçaram o deslocamento de 1,2 milhão de libaneses. Do lado israelense, o balanço registra a morte de 32 soldados e quatro civis.