Trump alerta que conflito com o Irã pode ser retomado se negociações não forem satisfatórias
Donald Trump afirmou que o conflito com o Irã pode ser retomado se as negociações não forem satisfatórias. O acordo prevê cessar-fogo e prazo de 60 dias para discutir o programa nuclear iraniano. As partes também debatem a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão gradual de sanções econômicas
Donald Trump alertou, nesta quarta-feira (17), que o conflito armado com o Irã pode ser retomado caso as negociações atuais não resultem em termos satisfatórios. Embora as duas nações tenham firmado um memorando de entendimento, com assinatura formal prevista para sexta-feira (19), o presidente dos Estados Unidos enfatizou que o processo diplomático permanece em aberto e que novas ofensivas contra Teerã são possíveis.
O acordo anunciado no último fim de semana estabelece, inicialmente, um cessar-fogo e não o encerramento definitivo das hostilidades, que ocorrem desde o fim de fevereiro. A trégua serve como período de transição para que Washington e Teerã discutam a questão central do impasse: o programa nuclear iraniano. Enquanto o governo Trump exige a desativação total do programa — justificativa utilizada para iniciar os ataques em 28 de fevereiro — e a retirada do urânio enriquecido por uma equipe independente, possivelmente com destino à Rússia, o Irã sustenta que a atividade possui fins estritamente civis. O prazo para que negociadores de ambos os lados busquem um consenso sobre o tema é de 60 dias.
Outro ponto de tensão envolve a navegação no Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. Apesar de Trump ter ordenado a retirada do bloqueio naval americano e de ambas as partes concordarem com a reabertura imediata da via, a implementação prática é incerta. O Irã não confirmou a retomada do tráfego e anunciou a cobrança de uma taxa de serviço para a travessia, medida que Trump afirma ser proibida pelo acordo. Além disso, a presença de minas navais instaladas por Teerã torna a navegação inviável para seguradoras e operadoras de carga até que seja feita uma varredura completa, processo estimado em 50 dias.
No campo econômico, o Irã busca a suspensão de sanções sobre a venda de petróleo e derivados, além do acesso a recursos financeiros congelados, visando recuperar a economia após três meses de guerra. Os Estados Unidos aceitaram aliviar as sanções, porém de maneira gradual e condicionada ao cumprimento do pacto. Trump esclareceu que o fim das sanções não será imediato e será debatido posteriormente. Teerã também pleiteia um plano de reconstrução de US$ 300 bilhões como compensação pelos danos do conflito, ponto sobre o qual Washington não se manifestou.
A dimensão regional do acordo, detalhada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, prevê o fim das operações militares inclusive na frente do Líbano, exigência de Teerã para proteger o Hezbollah. Contudo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que as tropas de seu país manterão a presença em zonas de segurança no território libanês por tempo indeterminado.
Aproveitando a cúpula do G7, Trump apresentou os termos do acordo aos líderes do Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão. Em comunicado conjunto, os aliados reforçaram a importância das negociações para neutralizar as ameaças do Irã na região e impedir que o país obtenha armamento nuclear.