Trump ameaça aumentar tarifas comerciais contra o Canadá devido à poluição de incêndios florestais
Donald Trump ameaçou elevar tarifas comerciais contra o Canadá devido a prejuízos causados por fumaça de incêndios florestais. O governo canadense informou ter investido US$ 12 bilhões em prevenção desde 2020. A poluição do ar atinge níveis perigosos em cidades como Detroit, Washington e Chicago
Donald Trump ameaçou aumentar as tarifas comerciais contra o Canadá como forma de compensação pelos danos causados pela poluição atmosférica proveniente de incêndios florestais em território canadense. O presidente dos Estados Unidos classificou a situação como "negligência deliberada", alegando que a falta de manejo florestal e de remoção de resíduos no país vizinho gera prejuízos bilionários aos EUA.
Trump informou a intenção de contatar o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, para questionar as medidas que serão adotadas para conter a fumaça. Em resposta, a ministra da Gestão de Emergências do Canadá, Eleanor Olszewski, afirmou que existe cooperação mútua no combate ao fogo e destacou que o governo canadense investiu US$ 12 bilhões (aproximadamente R$ 61,4 bilhões) em prevenção e sustentabilidade florestal desde 2020.
Impactos na saúde e qualidade do ar
A fumaça vinda do Canadá e do norte de Minnesota provocou alertas de má qualidade do ar em diversas regiões americanas. No Alto Meio-Oeste — região que engloba Michigan, Minnesota e Wisconsin —, os índices de poluição são classificados como "perigosos".
De acordo com o monitor IQAir, Detroit detém atualmente o título de cidade com o ar mais poluído do mundo, seguida por Washington e Chicago. Nessas localidades, a recomendação oficial é evitar atividades ao ar livre. Para mitigar os riscos, bibliotecas e estações ferroviárias em Nova York distribuíram máscaras gratuitamente, acessório que se tornou comum entre a população do Meio-Oeste e Nordeste dos EUA.
Sobre a composição da poluição, o pesquisador Chris Carlsten, da Universidade da Colúmbia Britânica, explica que a fumaça de incêndios contém partículas de madeira, vegetação, plástico, metal e resíduos de tinta. Diferente da poluição veicular, que atinge o sistema cardiovascular, essas partículas finas impactam prioritariamente os pulmões.
Riscos para a final da Copa do Mundo
Atenção especial está voltada para Nova Jersey, onde o MetLife Stadium, em East Rutherford, sediará a partida entre Argentina e Espanha neste domingo (19). A região metropolitana de Nova Jersey e Nova York registrou níveis de ar prejudiciais a grupos sensíveis, embora a visibilidade em Manhattan tenha melhorado após um pico de poluição na última quinta-feira.
Andrew Giuliani, diretor-executivo do grupo de trabalho da Casa Branca para o Mundial, afirmou que a organização monitora a situação. Meteorologistas do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS) alertam que ventos sobre os Grandes Lagos podem empurrar mais fumaça para o Nordeste. Joel Dreessen, meteorologista em Maryland, indicou que modelos climáticos sugerem o deslocamento de parte dessa nuvem para o sul, o que pode afetar a partida.
Até o último sábado, o Sistema Canadense de Informações sobre Incêndios Florestais contabilizava 937 focos ativos no Canadá, a maioria deles fora de controle. Não há registro de vítimas até o momento.