Trump associa adversários democratas ao comunismo em estratégia para as eleições de meio de mandato
Donald Trump associa o Partido Democrata ao comunismo em estratégia para as eleições de meio de mandato de novembro. O presidente mencionou o termo 81 vezes entre 23 de junho e 6 de julho, focando a retórica em candidatos progressistas
Donald Trump intensificou a retórica contra o Partido Democrata, associando seus adversários ao comunismo em uma estratégia para as eleições de meio de mandato de novembro, que definirão o controle do Congresso dos Estados Unidos. A abordagem surge após a vitória de candidatos progressistas e socialistas democráticos em primárias em estados como Nova York, Texas, Ohio, Kentucky e Colorado.
A nova linha de ataque republicana prioriza a rotulação de extremismo em vez de focar no histórico de Trump sobre o custo de vida. Entre 23 de junho e 6 de julho, o presidente mencionou o comunismo 81 vezes em pronunciamentos públicos, classificando alguns dos vencedores das primárias como "comunistas radicais e sem Deus". Durante o comício de 4 de julho no National Mall, em Washington, em celebração ao 250º aniversário da Declaração de Independência, Trump comparou a ascensão do comunismo a um câncer que deve ser extirpado rapidamente.
A Casa Branca, por meio da porta-voz Olivia Wales, definiu a adesão dos democratas ao socialismo e ao comunismo como uma ameaça existencial ao país, reforçando que a agenda "America First" se opõe a esse radicalismo.
Internamente, a equipe de Trump utiliza grupos focais para medir a eficácia da mensagem. Os dados preliminares indicam que o termo "comunismo" mobiliza a base fiel e pode atrair eleitores republicanos esporádicos. A estratégia parece ter maior aceitação entre hispânicos na Flórida e no Texas, devido ao histórico de famílias que fugiram de governos de esquerda na América Latina. Já o termo "socialismo" é visto como mais amplo para anúncios pagos e mensagens direcionadas a distritos específicos.
Por outro lado, a narrativa apresenta menor impacto entre eleitores independentes e jovens. A estrategista republicana Amy Koch pontuou que o conceito de comunismo não possui o mesmo significado para quem tem menos de 55 anos. Esse cenário é corroborado por uma pesquisa da Gallup de 2025, na qual 57% dos norte-americanos mantêm uma visão negativa do socialismo, contra 39% de avaliações positivas.
Os candidatos progressistas alvo das críticas defendem pautas como a tributação de ricos, a redução de gastos militares, o fim do financiamento a Israel, a ampliação de programas governamentais e a extinção da Agência de Imigração e Alfândega (ICE). Embora se identifiquem como socialistas democráticos — que buscam mudanças via processo eleitoral —, são rotulados por Trump como comunistas, sistema que prevê a abolição da propriedade privada.
A deputada federal Suzan DelBene, do comitê de campanha democrata da Câmara, classificou a estratégia republicana como um conjunto de ataques desesperados que ignoram as questões econômicas reais. A tática de Trump resgata métodos utilizados por Richard Nixon e Ronald Reagan durante a Guerra Fria, embora a aplicação dessa retórica em datas tradicionalmente apartidárias, como o Dia da Independência, seja considerada incomum.