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Trump busca intermediação da China para encerrar conflito no Oriente Médio em encontro com Xi Jinping

13 de Maio de 2026 às 09:20

Donald Trump e Xi Jinping reúnem-se em Pequim para discutir comércio, tecnologia, Taiwan e o conflito no Oriente Médio. A China investe 400 bilhões de dólares em robótica e diversifica parceiros comerciais para reduzir a dependência dos Estados Unidos. O país enfrenta endividamento governamental, desemprego e crise imobiliária

Trump busca intermediação da China para encerrar conflito no Oriente Médio em encontro com Xi Jinping
Getty Images via BBC

O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim ocorre em um cenário geopolítico transformado desde a última visita do presidente americano, em 2017. Se naquela ocasião a China buscava demonstrar paridade com os Estados Unidos, atualmente Pequim é reconhecida por Washington como uma potência quase equivalente e o concorrente mais poderoso da história americana. A recepção desta semana, que inclui uma visita ao complexo de Zhongnanhai, reflete essa nova dinâmica de força e assertividade chinesa.

A agenda bilateral é complexa e abrange tensões sobre comércio, tecnologia e a situação de Taiwan, além de um novo ponto crítico: o Irã. Trump busca a intermediação chinesa para encerrar o conflito no Oriente Médio, evidenciando a influência fundamental de Pequim no cenário global. Paralelamente, o governo americano tenta equilibrar a contenção tecnológica com a abertura comercial, como visto na flexibilização parcial da venda de chips de inteligência artificial da Nvidia para a China.

Internamente, Xi Jinping promove a transição para "novas forças produtivas", com investimentos massivos em robótica, inteligência artificial e energias renováveis. A cidade de Chongqing exemplifica essa ambição, transformando-se em um polo industrial tecnológico e símbolo de modernidade, com a meta de se tornar o "Vale do Silício" do oeste chinês. O país planeja investir cerca de 400 bilhões de dólares em robótica apenas este ano, embora a dependência de semicondutores americanos continue sendo um gargalo estratégico.

No campo econômico, a China trabalha para reduzir a dependência do mercado dos Estados Unidos. As exportações para o país norte-americano caíram cerca de 20% nos últimos anos, e Washington agora ocupa a terceira posição entre os parceiros comerciais de Pequim, atrás da União Europeia e do Sudeste Asiático. Para diversificar rotas, Xi Jinping investiu cerca de 5 bilhões de dólares em ligações ferroviárias que conectam a China à Europa via Ásia Central.

Apesar do avanço tecnológico e da imagem de "estabilidade" que Xi projeta frente à imprevisibilidade de Trump, a China enfrenta desafios internos. O crescimento acelerado de cidades como Chongqing gerou endividamento governamental severo, somado a uma economia lenta, desemprego crescente e crise no setor imobiliário.

Enquanto Trump busca vitórias tangíveis, como o aumento da compra de produtos americanos, a China visa consolidar sua imagem de abertura ao mundo e integração internacional. A estratégia de "America First" de Trump acabou por impulsionar a autossuficiência chinesa e incentivou líderes do Reino Unido, Canadá e Alemanha a buscarem maior proximidade com Pequim.

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